Comandante Geral joga diretoria do Edson Ramalho às feras, mas auditoria do TCE rejeita defesa

A decisão desfavorável ao comandante da Policiai Militar sobre irregularidades praticadas no Hospital Edson Ramalho, proferida pelo TCE, seria mais uma das muitas que percorrem e aboletam os tribunais contra o auxiliar e amigo íntimo do ex-governador Ricardo Coutinho a quem serviu com exacerbada fidelidade e alardeada dedicação.

Mas, o parecer técnico dos auditores do TCE expõe outros detalhes, que comprovam a transformação que sofreu a realidade oficial do estado depois que a Operação Calvário revelou como funcionava o esquema de captura das instituições, e  que blindava o chefe da organização criminosa e demais asseclas.

A operação Calvário afastou dois conselheiros do TCE e colocou na mira da opinião pública pelo menos mais um, recordista em arquivar processos que evolviam figurões da organização criminosa.

Esses holofotes projetaram luz nas sombras onde se moviam com incrível desfaçatez os personagens dessa trama sinistra, que arrombou os cofres estaduais, com maquinações as mais espúrias, promovendo um saque constate ao erário nos mais diversos setores da máquina administrativa sem que o chefe maior tivesse interesse em conter as catitas, ele o principal devastador dos recursos públicos.

Certos personagens já não atuam com tanta desenvoltura

E assim e dessa forma se explica e se entende certas longevidades, acobertados pelo grosso manto da corrupção que protegia o esquema criminoso.

O parecer também chama atenção – e descobre à vista de quem quiser ver – para o caráter do homem que comanda a corporação, guindado ao cargo por manobras de espertezas que driblaram a Constituição estadual.

Trecho do documento que refuta a defesa do comandante

Ao contrário de capitãs de navio, que não abandonam o barco nas horas cruciais, o comandante jogou às feras toda diretoria do hospital e apresentou recurso onde alega não ter responsabilidade sobre os desmandos cometidos pela diretoria que nomeou ao seu bel prazer.

Independente da recusa dos auditores, que desprezaram a argumentação calhorda da defesa do acusado, fica evidente que o comandante não se solidariza com os subordinados flagrados em irregularidades mesmo que tenham sido ordenadas por ele como fica exposto no documento publicado.

Ai que saudade me dá dos velhos tempos dos velhos dias

Nuvens negras se acumulam no horizonte e quem achou que cargo de confiança era vitalício é bom colocar as barbas de molho, porque o Gaeco está chegando.

A advertência fica principalmente para as catitas, que mergulharam na lama para não sujar os coturnos do chefe.

Blog do Helder

Uma denúncia do senhor Armstrong dos Santos Leal contra o coronel Euller, comandante da Polícia Militar, acaba de receber parecer favorável do Tribunal de Contas do Estado. Na denúncia, Armstrong apresenta indícios de irregularidades com acumulação de cargos públicos, pessoas nomeadas pelo comandante que não estariam dando expediente e pagamentos de salários em valores diferentes, por critério político, no Hospital Edson Ramalho.

Euller chegou a recorrer da denúncia, ao ser citado pelo Tribunal de Contas do Estado, alegando não ter legitimidade passiva sobre a administração do hospital. O TCE disse que, embora haja uma diretoria encarregada de nomeações e pagamentos de salários, Euller tinha prerrogativa de nomear gestores e definir questões salariais e rejeitou seu recurso, mantendo a condenação de suas contas.

Dentre as condenações impostos pelo tribunal, consta a aplicação de multa ao comandante-geral da PM, sem prejuízo de outras penas.