Assembleia de militares rejeita quase por unanimidade decreto regulamentando Bolsa Desempenho

Permanece o impasse e a insatisfação gritante dos inativos para com o decreto do Governo regulamentando a Bolsa Desempenho.

Um arremedo de solução terminou por desagradar gregos e troianos e confirmar que a política salarial engendrada no Governo passado era de teor caviloso e oportunista e de tão caviloso, quem teria de ir para a reserva resiste e não quer beber deste cálice amargo.

Uma unanimidade que não é burra

Entre todos os detalhes jurídicos, que envolveram essa pendenga de quase 10 anos de batalha entre entidades e Governo, fica evidente que a questão dos inativos representa o Nó Górdio da peleja.

Toda política salarial do Governo de Ricardo foi pautada por orientação de aprendizes de feiticeiros e contemplaria o imediatismo sem qualquer preocupação com o futuro inevitável, aquele que empurra toda corporação para a reserva, neste contexto mal remunerada e muito mal remunerada.

Injustamente remunerada, diga-se de passagem, alimentando a expectativa e a esperança de permanecer na ativa a qualquer preço e a todo custo como manifesta o Grupo da Bengala formado por oficiais ligados ao Alto Comando apavorados com a reserva iminente que os contemplará com uma perda salarial que se aproxima de 50% do salário, tornando as gratificações maiores que o soldo.

Trocado em miúdos, esse o impasse que percorreu todas as instâncias da Justiça por perseverança e obstinação do Clube dos Oficiais, que não largou o osso e encostou o Governo na parede obrigado por determinação judicial implantar para os inativos o benefício conquistado numa batalha sem fim e sem descanso.

Mas, os gênios que moram em quarteis não se deram por vencidos e, no açodamento provocado pela decisão do desembargador Leandro dos Santos, empurraram ladeira abaixo mais uma vez o governador do estado fazendo a emenda pior que o soneto.

E esse decreto desastroso conseguiu atrair para o meio dos insatisfeitos, os ainda na atividade, mas em vias de vestir o pijama até então espectadores da desgraça alheia e alheios aos efeitos perniciosos que a Bolsa escondia vista como um presente de grego que a torpeza de certos sacripantas idealizou para agradar ao poder do dia.

O que por muito tempo teve aparência de esperteza e astúcia – a Bolsa Desempenho, revelou-se um desastre em toda sua plenitude e em toda sua concepção e a turma da mamata só agora estrebucha recusando ir pra casa.

Nem debaixo de cacete, nem por imposição do regimento, provocando o estrangulamento da corporação, impedida de se renovar, atrofiada por uma politica personalista, concebida para asfixiar a instituição e preservar múmias nos cargos.

A situação de estrangulamento da corporação como resultado dessa manifestação de bastidores do Grupo da Bengala ensejou, inclusive, uma ação já na Justiça – mais uma- do Clube dos Oficiais, para que esse pessoal vista o pijama e possibilite a política de promoção de jovens oficiais, criminosamente prejudicados, à ascensão funcional, como consequência da estagnação implantada pelo Governo.

O resultado da assembleia convocada pelo Clube dos Oficiais seria uma radiografia da insatisfação que o decreto provocou: quase a unanimidade rejeitou a proposta do Governo – 98,8%.

Mas como a esperança nunca morre a polêmica Bolsa já está sendo implantada nos contracheques dos sócios do Clube dos Oficiais, apenas nos contracheques dos sócios da entidade, única que perseverou até a última instância da Justiça.

Quem inventou a receita vai ter que beber deste cálice, cedo ou tarde.