Temperatura Máxima: decisão de Og Fernandes aumenta a expectativa sobre o futuro do comandante

Por mais que se tente abafar, por mais que se tente ameaçar veladamente, por mais que a maioria da imprensa ignore o assunto de tanto interesse público, o tema termina por ocupar espaços, mesmo os mais reduzidos, aqueles que, num exercício de coragem e ousadia, ousam trazer à baila capítulo tão palpitante e explosivo da corporação.

O que em tempos de racionalidade seria manchete de todo o veículo de comunicação hoje ocupa espaços naqueles mais desatrelados e comprometidos com a notícia, que se arriscam perder patrocínio mais ganhar credibilidade.

Decisão do ministro pode provocar reviravolta no caso das promoções

Uma decisão judicial que pode por fim a uma tramoia bem urdida e que contou com a interpretação supostamente equivocada da Justiça paraibana, aparentemente engajada no propósito de arquivar o processo, ressurgiu dos arquivos para ser analisado pela ótica de outras lupas jurídicas, o que pode terminar resolvendo o busílis da questão.

Uma questionada e polêmica ascensão militar de alguém que nunca habitou os quartéis e sempre se dedicou aos ambientes políticos, onde começou polindo as maçanetas dos gabinetes, colocou de ponta cabeça a Polícia Militar e de quebra o Governo.

O assunto é tão palpitante que divide o Governo e restringe a oposição, onde apenas um representante se atreve opinar sobre o tema mostrando a força e o poder do réu confesso já que admite ser beneficiado pela prescrição arguida por sua defesa como se isso o livrasse do repúdio e do anátema que a falta de escrúpulos empresta à esperteza declarada e proclamada como meio de vencer na vida.

Depois de 12 anos, esse prédio pode ser habitado por novo comandante

Obviamente que a exoneração do comandante interessa mais a setores do Governo do que a própria oposição resignada ao seu papel decorativo e sobrevivendo de lampejos de rebeldia de um cabo tão incômodo como o que deu origem a disputa jurídica.

Por isso, o tema e o desfecho interessa muito mais ao Governo por mais incoerente que isso possa ser do que propriamente a Oposição tímida e restrita a vozes isoladas que sequer dispõem de tribuna já que o Poder Legislativo se tornou algo remoto.

Há quase 12 anos no exercício do cargo, o que corresponde a uma mandato e meio de senador, o mais longevo da vida pública nacional, o coronel em foco construiu uma cerrada oposição e a sua permanência esgotou a paciência da corporação que sonha vê-lo de pijama.

Deputado Cabo Gilberto diz que a substituição do comandante é saudável para a corporação

Além do mais construiu zonas de atrito com a cúpula da secretaria no sonho ardente de ascender ao cargo de secretário, o que teria motivado uma série de escaramuças contra o ex-secretário Claudio Lima com quem vivia um clima de israelenses e palestinos, o que não seria muito diferente hoje onde é suspeito de tramar contra a privacidade do titular através de ações de espionagens, comprovadamente orientadas do seu gabinete.

Esse portal pela disposição em se tornar um canal para essa insatisfação latente dentro do Governo e dos quartéis se vê na obrigação de abordar o tema mesmo que irritando uma banda do Poder estadual simpática a perpetuação do coronel por razões que a corporação desconfia estarem relacionadas a informações privilegiadas, que o comandante teria coletado ao longo desses anos.

A reviravolta no processo surpreendeu a Segurança Pública e a corporação e a maioria sequer conhecia a ação e quem conhecia não confiava que ela prosperasse ao ponto de ser revisto o que foi sentenciado aqui por pessoas cuja trajetória um dia cruzou com a do comandante.

A decisão que veio de cima a princípio reconhece a razão do agravante e determina de forma imperiosa que os autos do processo, agora já em proporções de escândalo, sejam remetidos para o STJ, onde outras interpretações, mais compromissadas com a Justiça, possam jogar luz na querela e a verdade se impor aos olhos da sociedade estarrecida e ansiosa para ver o desfecho de uma situação surreal que só a imaginação de um novelista da grandeza de um Gabriel Garcia Marques, ou de um dramaturgo como Dias Gomes, poderia conceber, que seria a história de um major que teria reproduzido na vida real o papel da viúva Porcina: a que foi sem nunca ter sido.

O tema e a expectativa criada pela decisão do ministro do STJ, Og Fernandes, o mesmo que decretou a inelegibilidade de Ricardo Coutinho, tem alvoraçado os quartéis e esquentado a bolsa de apostas sobre qual será o futuro do cambalacheiro, com uns apostando que será despromovido e outros dizendo que nada o afetará nem o removerá do cargo.

No entanto, a bolsa tende para a despromoção, e as apostas estão na proporção de 8 numa escala de 1 a 10.

De uma oposição decorativa instalada na Assembleia apenas o deputado Cabo Gilberto por razões óbvias se pronunciou sobre o assunto em áudio que reproduzimos abaixo.