Ricardo se despede melancolicamente da campanha e transfere para Cícero o seu espólio político

Não podia ser mais melancólico o pôr do sol politico do ex-governador Ricardo Coutinho ao ficar na rabeira da disputa de uma prefeitura de onde já reinou absoluto e de onde se projetou para o apogeu de sua breve e trepidante trajetória política e de onde até recentemente era visto como o favorito absoluto.

Eles foram tragados pelas urnas

Ao amargar a sexta colocação na disputa, Ricardo retorna à planície e perde o cinturão de campeão de votos que ostentou por mais de uma década.

Nem os velhos sapatos congas, que ele gostava de usar para ir de encontro ao eleitor lhe foram de serventia nessa caminhada onde apenas os mais fieis o acompanharam, ficando os amigos do poder pelo caminho, engajados em projetos mais promissores de onde possam usufruir das regalias que um dia o Mago lhes assegurou.

Eles escrevem uma nova página

Na outra ponta aparece João Azevedo iniciando sua carreira solo na politica, livre das amarras que o prendiam a Ricardo. São duas situações diametralmente opostas, onde um caminha para a ribalta e o outro se retira para a obscuridade arrastado pelos reveses que a vida propicia.

Enquanto Ricardo não consegue escapar ao destino cruel que as investigações da Operação Calvário reservaram para ele, afundado no descrédito e na rejeição monumental que as delações provocaram na sua imagem de paladino da moralidade pública, João se prepara para assumir de fato o controle do estado despejando de sua gestão o que resta de entulho do PSB, em vagão novinho em folha da locomotiva que Cícero deve conduzir ao final da eleição municipal.

O desembarque da tropa socialista deve começar logo em seguida ao resultado das urnas e por mais irônico que possa parecer Cícero será o herdeiro do que restou do PSB de Ricardo, já de malas prontas para ingressar na sua gestão, enveredando pela porta de emergência que a astúcia dos Bezerras construiu ao colocar um rebento na chapa do progressista Cícero Lucena.