Ricardo e Berg provam que Al Capone fez escola na Paraíba

O que pode haver de semelhanças entre o ex-governador Ricardo Coutinho e o ex-prefeito de Bayeux, Berg Lima? Poucas, mas fundamentais: o protagonismo no mundo da corrupção, onde os dois pontificaram, sem concorrência, dominando o cenário com suas proezas de fazer cair o queixo dos mais descarados.

As urnas assinaram seu atestado de óbito

Num mundo onde o cinismo e a hipocrisia funcionam como estandartes, Ricardo Coutinho e Berg Lima deram um show de competência e revelaram habilidades que fariam morrer de inveja os velhos gangsteres de Chicago, aquela cidade americana que na década de 30 do século passado notabilizou-se mundialmente por abrigar e servir de cenário para as peripécias de gente como Al Capone.

Al Capone foi a estrela da galeria dos Inimigos Públicos número 1 dos Estados Unidos, porém, mesmo célebre, sempre foi visto como criminoso comum nunca confundido com homens públicos, detentores de mandatos eletivos, aqui usados como biombo para praticarem tudo o que os bandidos vulgares cometem contra a ordem e a segurança e principalmente contra a integridade dos cofres públicos.

Al Capone nunca escondeu seus propósitos criminosos, ao contrário de Ricardo Coutinho e Berg Lima que usaram a politica para revelar as habilidades funestas que celebrizaram o Inimigo Público Número 1 da criminalidade americana.

Berg encarnou em Fofinha que serve de cavalo de Santo

Ricardo e Berg foram até mais sofisticados que os marginais do Grande Irmão do Norte, porque se respaldaram na legalidade para cometer as atrocidades que os celebrizaram e que os transformaram em protagonistas do cenário político, ambos saudados como renovação dos costumes, para depois, retirada as máscaras, exibirem o perfil que os identifica com as celebridades americanas.

Mas como ninguém consegue enganar um povo por todo tempo, o tempo da embromação terminou e a espada da Justiça se abateu sobre os dois, expondo quem realmente são e o que tramavam na calada da noite.

Juntos tramaram contra tudo, inclusive contra a honra alheia

Um, o mais célebre e arrogante teve que voltar da Europa para prestar contas a opinião púbica e a Justiça, recebido em pandemônio e com a euforia dos acólitos de plantão como pano de fundo reproduzindo as cenas comuns aos grandes astros da Música, ovacionados em delírio pelos fãs, mas impreterivelmente recolhido à cela.

O outro, mais acanhado e restrito a um mundo onde a lama dos mangues serve de habitat também teve seu momento de glória e ocupou o noticiário nacional preso com o dinheiro da propina na cueca numa cena grotesca que estarreceu o país pelo primarismo dos fatos.

Na sua senda de violações a legalidade, Berg contou com a indispensável ajuda da esposa tida e vista pela boca maldita da cidade como a mentora de todas as atrocidades cometidas pelo ex-gestor de Bayeux, os dois formando uma versão atrofiada de Bonnie e Clyde, aquele casal famoso que aterrorizou a região centra dos EUA na Grande Depressão, ambos enfiados até o pescoço num caso de difamação, calúnia e injúria que vem sendo apurado por inquérito policial e ao qual brevemente serão chamados aos feitos.

VIVOS E PERIGOSOS

Ricardo e Berg vivos e em atuação, mexendo os cordões da política, cada um com sua projeção e influência. Ricardo, afrontando a consciência do eleitor da capital, lançando-se candidato para receber o veredito das urnas e amargar uma sexta colocação, reafirmando os índices estarrecedores de rejeição (53%).

Depois dessa tragédia eleitoral recolheu-se ao silêncio tumular e ninguém ouviu dele explicações para esse desastre nem precisava explicar: As urnas assinaram o seu atestado de óbito político.

CAVALO DE SANTO

O outro, mais manhoso e discreto, porém, não menos nefasto, conseguiu driblar as barreiras sanitárias e comemorar duas vitórias surpreendentes, ao eleger sua legítima representante ao cargo de prefeita, primeiro numa eleição indireta, favorecido pelo clima de promiscuidade que imperava no município e na política do município, e  depois nas urnas, onde a cumplicidade do eleitor com a corrupção o reconduziu ao Poder, encarnado na figura patética de Luciene de Fofinho.

Por todo esse protagonismo, Ricardo e Berg se assemelham e provam que Al Capone fez escola na Paraíba.