No Conde, oposição dividida pela intransigência pode entregar o ouro ao bandido, mais uma vez

Começou a guerra da informação e da contrainformação na disputa municipal com data definida para o final deste ano pela Justiça Eleitoral, porém, os competidores já arrancaram na pista em busca do voto do eleitor.

Nesse ambiente conturbado, as informações voam – principalmente nas redes sociais – ao sabor das paixões políticas, onde a aprovação e o favoritismo dos pré-candidatos oscilam de acordo com a preferência, afinidade e conveniência do eleitor.

Márcia vive cercada de atribulações que arrasaram sua gestão

Em todos os redutos eleitorais a paixão comanda essa guerra por votos e em alguns ela sobe a temperaturas máximas, que beiram o fanatismo, aquecendo a disputa antes mesmo de ser dado o sinal verde pela Justiça Eleitoral que agora tem mais um campo de batalha para fiscalizar e punir: a Internet, onde os embates descem aos níveis mais explosivos e onde pescoço e canela se confundem.

Um dos cenários mais escaldantes dessa luta pelo voto do eleitor sem sombra de dúvidas se constitui o Conde, onde a exaustão devorou velhas lideranças e a prometida renovação mostrou-se uma reprodução deteriorada do passado, coroado com a prisão da atual prefeita, Márcia Lucena, mantida no cargo por força de recursos jurídicos que lhe garantiram a permanência na prefeitura e a liberdade, mas não a livraram das tornozeleiras.

Márcia Lucena está presa ao passado sombrio

Metida numa camisa de força penal que lhe tolhe os movimentos e desidrata seu discurso “moralista”, Márcia recorre a estratégia passada que lhe elegeu: de dividir para reinar, mas não encontra nesse novo cenário os mesmos esteios que lhe deram sustentação contra as oligarquias locais.

Sem essas muletas eleitorais, a prefeita se mostra presa fácil no habitat selvagem do Conde, onde a chibata e a pistola ainda fazem eco nas urnas, e mantem currais ainda bastante abastecidos, com a maior parcela do gado alimentado por velhos favores; velhos e, por isso, suficientes para apascentar o eleitor de cabresto, que desconhece a força do seu voto, capaz de arrombar cancelas.

A tornozeleira de Márcia desperta a curiosidade do eleitor

Esse atrofiamento político pode ser percebido e aferido pela enorme rejeição que Márcia adquiriu em menos de 4 anos de gestão, comprovado pelas sondagens internas, onde alcança níveis devastadores de desaprovação na avaliação do morador da cidade.

De acordo com informações de bastidores, Márcia aparece com o maior índice de rejeição entre os postulantes à prefeitura de Conde, quase o dobro de sua aprovação, o que comprovaria o desastre de sua gestão bem mais combalida depois que a Operação Calvário arrastou à lama o seu discurso de moralidade.

Karla alimenta relações perigosas com figuras suspeitas

De tornozeleira, então, aumentariam suas dificuldades para olhar no olho o eleitor sem ter que baixar a vista esmagada pelos ecos da prisão e pelas incertezas de seu futuro.

Por este cenário moral devastador e pela incipiência de sua gestão, agravada pelo desempenho petulante e arrogante de muitos auxiliares vindos de fora, exibindo costumes e trejeitos pouco afeitos aos dos condenses, torna-se difícil para Márcia, de tornozeleiras, engatar marcha que a remova desse terreno movediço.

Peso eleitoral

A soma dos votos da oposição na eleição passada mostra que se for capaz de se unir a campanha já estaria definida sem a menor chance para Márcia de reverter o cenário.

Karla não tem identidade política e se sustenta no passado

A composição da chapa, entretanto, tem sido a grande dificuldade para que a oposição realize essa marcha triunfal rumo a vitória, incontestável considerados os números passados, onde a diferença de Marcia para o segundo colocado, Aluísio Régis, foi de meros 400 votos.

Esse velho leão desdentado, mas de rugido ainda ameaçador tem sido o pomo da discórdia e prefere ignorar a enorme rejeição que a sua prolongada exposição política conquistou insistindo manter na cabeça de chapa uma nora comprovadamente sem densidade eleitoral e que apenas divide conforme sondagens onde absorve e reflete a rejeição do sogro e padrinho.

Desgaste

Para se avaliar o desgaste de Régis nesses anos todo de atuação política no Conde bastante observar o desempenho da moça: ela disputa com Márcia o pódio da rejeição, que atingiu quase o triplo de sua aprovação.

Essa rejeição espantosa não pode ser atribuída a noviça rebelde, mas aos padrinhos políticos, cujo desgaste pode ser aferido pela trajetória de escândalos protagonizados ao longo de décadas.

Nesse cenário em ebulição fica evidente que o maior trunfo será a reputação ilibada, atributo que não contemplaria certas chapas e estigmatizaria certos candidatos.

Diante dessa constatação insistir na divisão da Oposição seria entregar o ouro ao bandido e a única fórmula marchar com quem tem credibilidade e projetos.