Gráfica da UEPB se reestrutura para produzir EPIs de combate à Covid-19 e parcerias garantem reativação do setor

Após terem sido suspensas entre os meses de agosto de 2019 e janeiro de 2020, as atividades da Gráfica da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) foram retomadas em meados de fevereiro deste ano. O local, que passou por uma readequação estrutural para voltar a funcionar, teve suas máquinas religadas para que a Instituição pudesse contribuir ainda mais com suas ações para o combate ao novo coronavírus.

Foi através da Gráfica que, entre os meses de março e maio, a Universidade conseguiu produzir mais de 55 mil protetores faciais que foram doados para hospitais de todo o Estado da Paraíba, para utilização por profissionais da Saúde que trabalham na linha de frente contra a Covid-19.

Com uma nova equipe de funcionários, a Gráfica da UEPB foi se adaptando às necessidades da Instituição para que todos estes equipamentos de proteção individual (EPIs) pudessem chegar aos hospitais paraibanos em pouco tempo. Neste espaço foram produzidas as viseiras dos protetores faciais que seguiram para montagem no Laboratório de Tecnologias 3D (LT3D) do Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde (Nutes). As hastes plásticas foram feitas pelo Grupo Duraplast de Campina Grande, por meio de injeção de polipropileno a partir de um bloco de modelagem desenvolvido pelo Nutes.

Além da Face Shield, como é conhecido o protetor, a Gráfica da UEPB também produziu os manuais de instrução impressos que compuseram os kits entregues através do Nutes da UEPB. De acordo com o diretor da Gráfica, Marconi de Oliveira, no auge da produção o local chegou a preparar cerca de quatro mil máscaras por dia. “Quando recebemos a tarefa de produzir esses protetores, foi preciso adaptar todo nosso maquinário, uma vez que a Gráfica não trabalhava na produção de itens com aquele tipo de matéria-prima. Desenvolvemos novos equipamentos, adaptamos as guilhotinas e deixamos os protetores faciais já furados para que fossem colocados os suportes para encaixe na cabeça. Já a impressão do manual de instruções foi mais fácil, porque é o tipo de serviço que fazemos há anos. Fizemos um revezamento na nossa equipe de funcionários para respeitar o distanciamento social e trabalhamos para atender toda essa demanda”, explicou Marconi.

Com a entrega de todos os protetores faciais solicitados pelo Nutes, a Gráfica da UEPB foi voltando às suas tarefas originais. Com isso, a partir da segunda quinzena de maio, a impressão dos materiais de expediente da Universidade, que por hora haviam sido suspensos, foram retomados, bem como a produção dos cordéis que são expostos no Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP). Essa retomada na produção de materiais gráficos só foi possível após uma reorganização financeira e estrutural que a Instituição realizou no local. De acordo com o reitor da Universidade, professor Rangel Junior, a reestruturação garantiu o equilíbrio necessário para que a Gráfica voltasse a ter condições de realizar seus serviços.

“A partir de 2011, passamos a sofrer com uma grave crise financeira. Em 2018, por duas vezes, quase fechamos a Gráfica, o que acabou acontecendo em agosto do ano passado, após o vencimento dos contratos dos funcionários terceirizados. Após passarmos um longo período de crise com o Governo do Estado, agora temos um governo que é mais parceiro, em todos os sentidos, que dá estabilidade à Universidade, sem provocar embate político. Nos reestruturamos, planejamos as ações e estamos preparando a Gráfica para ofertar alguns serviços para instituições parceiras, com materiais impressos”, explicou Rangel Junior.

Parceria fortalece ações institucionais

Esta nova fase da Gráfica da Universidade Estadual da Paraíba ganhou reforço após parceria firmada entre a Instituição, através de sua Editora Universitária (EDUEPB), Empresa Paraibana de Comunicação (EPC) e Editora A União. Esse trabalho em conjunto já foi materializado na publicação e distribuição de 16 títulos, ações que devem seguir acontecendo, principalmente com as obras dos Programas de Pós-Graduação da UEPB.

Sobre esse trabalho em conjunto, o diretor da EDUEPB, professor Luciano Nascimento, destacou que a parceria foi de fundamental importância para que a Gráfica da UEPB voltasse a funcionar. De acordo com ele, o trabalho envolvendo essas instituições estaduais foi a solução encontrada para que o fechamento definitivo do espaço não acontecesse, já que era preciso um alto investimento da Universidade para continuar com a produção dos livros que a EDUEPB publicava.

“À luz do elevado custo financeiro da Gráfica da UEPB, esse convênio firmado foi fundamental para que as obras publicadas pela EDUEPB continuassem saindo. A partir de agora, todos os livros impressos saem com selo duplo na capa, e a Editora A União nos cobra apenas o valor dos insumos que são usados para a produção do livro, e não o preço de mercado que normalmente é praticado. Isso barateia muito o custo, o que tornou viável o funcionamento da nossa Gráfica para outros serviços”, explicou Luciano.

A volta dos trabalhos na Gráfica da UEPB foi destacada, ainda, pelo reitor Rangel Junior devido a história que o local possui. São mais de 40 anos de serviços prestados à Universidade e ao Estado da Paraíba, produzindo conhecimento e oferecendo oportunidade para diversas pessoas no mercado. Rangel lembrou de nomes de destaque da cultura paraibana que passaram pele Gráfica ao longo de todo esse tempo.

“Foram muitas pessoas que trabalharam no local. Duas delas que gostaria de lembrar foram o maestro Antônio Guimarães, autor da música do hino de Campina Grande; como também Lanca Xavier, irmão do cantor Biliu de Campina, um músico e especialista na produção de pandeiros. Através de várias pessoas importantes ao longo dessa história, a Gráfica da UEPB prestou grandes serviços à população paraibana quando o papel era o meio essencial para a comunicação. Agora, com essa guinada para a comunicação digital, estamos nos adaptando para continuar atuando através de parcerias que potencializem o trabalho desenvolvido por nós”, concluiu o reitor.