Em plena pandemia, Poderes se harmonizam para contemplar minorias

Em meio a dor e ao sofrimento tem gente palitando os dentes, em festas e comemorações, cujas despesas recaem no bolso do contribuinte já devidamente penalizado pela carga tributária que faz deste país um dos mais injustos e desiguais do mundo.

São muitos os exemplos de solidariedade e desprendimento vindos principalmente da área da saúde e da pesquisa cientifica, onde profissionais abnegados trabalham pondo em risco a própria vida como tem demonstrado o farto noticiário nacional.

Mas, outros exemplos são deprimentes como o caso do deputado que se mostrou indignado com o corte em suas verbas, bancadas exclusivamente pelo contribuinte, onde ele diz que tomou naquele canto no melhor estilo da sarjeta.

Mas, não ficam apenas nele os exemplos de insensibilidade social onde os gastos com a pandemia têm exaurido os cofres públicos. Vem também de Poderes que, pelo significado e importância deviam refrear a sede de recursos.

É preciso apertar um pouco mais a venda de Têmis para que ela não possa enxergar os favorecidos

No entanto, sem muitas explicações diante do quadro de aflição porque passa o mundo, o país e o estado, o Diário Oficial traz a publicação da Lei 11.688, que cria 65 cargos comissionados no Poder Judiciário.

Não se discute a necessidade dos cargos nem sua relevância se observa simplesmente a inoportunidade do momento, o que leva a publicação da Lei para as interpretações, as mais deprimentes e as mais cavilosas, sobre troca de favores entre os Poderes, onde uma mão lavaria a outra.

Os Poderes se confraternizam com o dinheiro do contribuinte

Ainda debaixo da estrondosa repercussão das declarações do obtuso delegado empossado em mandato popular pela força da estupidez que prospera no país, vem agora o Judiciário, entrincheirado no pedestal em que se coloca, afrontar o delicado momento da tragédia social que atravessa o estado, e esfregar na cara da população sofrida toda pompa e privilégios que desfruta numa demonstração de superioridade de casta, que insulta a consciência popular.

Uma Justiça que desmorona sob os abalos morais que estremecem suas fundações, provocando manifestações de repúdio até aos mais elevados escalões de sua hierarquia, anuncia – misturado ao burburinho da pandemia – cargos que contemplam uma pequena parcela de mortais, abrigados pela balança, pela espada e pela venda, símbolos que já representaram a grandeza do Poder, mas cujo desgaste atual inspira zombarias e maledicências.

Podiam ter esperado passar o coronavírus, para não firmar a impressão do toma lá dá cá.