Documento assinado por Gilberto Carneiro isentando Euller simboliza o descaso e o deboche com a moralidade pública

A sabedoria popular é de uma precisão de causar inveja aos mais sofisticados filósofos da humanidade, aos mais festejados sábios, porque revela o aprendizado da vida, essa melhor e a mais cara professora do mundo.

Então, quando ela diz que nada melhor do que um dia atrás do outro e a noite no meio refere-se exatamente às surpresas que a vida proporciona e o quanto a verdade de ontem pode ser a mentira de hoje

É o que se pode deduzir de certa portaria assinada pelo ex-procurador geral do Estado, Gilberto Carneiro, uma peça requintada sobre a hipocrisia que reinava nos tempos em que a organização criminosa, que integrava, dava as ordens no terreiro.

A portaria, datada de 2013, determina que seja constituída uma comissão de sindicância para apurar supostas irregularidades no âmbito do Comando Geral da Polícia Militar, apontadas pela Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública, denunciando entre outros crimes, o enriquecimento ilícito de oficiais, particularmente o comandante geral, coronel Euller Chaves, supostamente flagrado em transações milionárias, que incluiriam a compra de apartamentos em condomínios de luxo.

Portaria assinada por Gilberto Carneiro precisa ser revista em nome da moralidade

Para a ocasião, a portaria revelava a zelosa intenção do Governo de preservar a moralidade da gestão como fica ostensivamente e enfaticamente demonstrado ao longo do documento assinado pelo hoje tornozelado Gilberto Carneiro.

A comissão foi constituída e, obviamente que nada foi apurado, porque nada seria apurado em um Governo que terminou na cadeia e junto com os presos, o então honrado procurador e dileto amigo do suspeito.

O que a portaria simboliza de cretinice entra para a história como os demais documentos que levam a assinatura do homem cujo papel na organização era o de oferecer aspecto legal ao saque promovido na calada da noite sob a proteção do discurso moralista de um ente cuja origem as vezes se desconfia não seja humana diante de tantas atrocidades cometidas.

Informações de bastidores afirmam que esse trio contingenciava Claudio Lima para deixar Euller a vontade

Passado o tempo, desfeitas as aparências, expostos os escombros morais de um Governo que se revelou uma organização criminosa há de se perguntar que validade teria um documento que isenta de responsabilidade acusados de saquear o erário por alguém com a credibilidade que tem a Ouvidoria da Segurança Pública, apesar do silêncio constrangedor do atual titular, agindo como vaquinha de presépio diante de tamanho absurdo.

Obviamente que, diante do que foi revelado pela Operação Calvário mostrando o cenário de devastação moral que se escondia por trás de um discurso oportunista essa portaria ganha ares de escárnio, de deboche, de acinte aos bons costumes, e o que foi sepultado de forma apressada tem que ser desenterrado para o Governo que sucedeu possa mostrar seu compromisso com a legalidade e, acima de tudo com a verdade.

Com a palavra o procurador geral Fábio Andrade

Cabe aos órgãos competentes se pronunciarem porque as denúncias contundentes foram formuladas por um órgão do Governo, sem conotação política, apenas revelando zelo pela moralidade e pela imagem de uma gestão que se professava republicana.

Por conta desse zelo, a ouvidora enfrentou barreiras de ódio e cumplicidade ao ponto de ser exonerada sem ter tempo sequer para detalhar a denúncia, ejetada que foi do Estado como forma de impedir os esclarecimentos que daria através da Imprensa e também para preservar sua vida, segundo comentários de bastidores.

No longínquo 2013, os monturos da organização já se acumulavam e seus tentáculos identificados, porém, protegidos pelo esquema criminoso que iniciava sua metástase na máquina estatal.

Os protocolos distribuídos pela Ouvidoria são os seguintes: 010.2012.000.49,01; 010,2012.000.48,69; 010.2012.000.4780 e 010.2012.000.45.84. Agora é só procurar saber o paradeiro e dar uma satisfação à sociedade sobre o que a Ouvidoria descobriu e Gilberto Carneiro enterrou.