Desembargador além de alertar o ministro Gilmar Mendes tem que dar nome aos bois e dizer quem comanda as forças policiais submetidas a Coriolano

É absolutamente alentador que o desembargador Ricardo Vital não descuide do andamento dos processos que envolvem as principais personagens da organização criminosa estabelecida pelo ex-governador Ricardo Coutinho como apontam as investigações conduzidas pelo Gaeco.

Os dois precisam dar nome aos bois e dizer a sociedade quem comanda as forças policiais submetidas a Coriolano

O zelo e vigilância do magistrado ficam expressos no alerta enviado pelo desembargador paraibano ao ministro do STF Gilmar Mendes sobre o perigo da concessão de habeas corpus para o irmão do ex-governador, Coriolano Coutinho, apontado pelas investigações como o mais perigoso e violento principalmente por deter amplos poderes sobre as forças policiais.

Agora, o que intriga mesmo é o mistério que paira sobre essas ditas forças policiais tão citadas e enfatizadas no bojo das investigações, mas jamais nominadas nem mesmo agora no alerta encaminhado pelo ínclito desembargador que, por sua trajetória de juiz militar deve e tem todos os meios para conhecer na intimidade e com profundida essas referidas forças e quem as comanda porque elas não podiam nem podem agir apenas pela influência de Coriolano.

Juiz militar por quase uma década Ricardo Vital conhece os porões das forças policiais

Fica claro que é um sistema no qual o irmão do governador tinha ingerência e ainda tem tanto que sua soltura causa apreensão pelo fato de poder continuar agindo, influindo e manipulando essas ditas forças policiais aparentemente vinculadas ao Governo estadual e supostamente representadas pelas polícias, civil e militar, e Casa Militar do Governador, cujos comandantes, consequentemente e racionalmente, tornam-se suspeitos já que essas forças estão submetidas ao comando deles, o que ensejaria o imediato afastamento dos cargos pelo grau de aproximação e afinidade que teriam com o esquema criminoso.

Não se pode conceber que o grau de influência e periculosidade atribuída ao irmão do ex-governador esteja respaldado em figuras menores dessas corporações agindo espontaneamente e sem o conhecimento dos superiores.

Coriolano não tratava com praças para acionar as forças policiais

O que se percebe é uma intrincada e bem montada rede de espionagem agindo tão ousada e despudoradamente que sequer o Ministério Público muito menos o Secretário de Segurança escaparam dessas ações criminosas e solertes com o agravante de que, há indícios fortíssimos da participação de patentes de oficiais superiores, em postos de comando, acionando essa rede da qual se servia o irmão do governador para implantar o terror.

Para que essa rede caprichosamente elaborada agisse com a eficiência que agiu por todo esse tempo teria que contar com o apoio e a efetiva orientação dos comandantes dessas ditas forças policiais oriundos do Governo passado declaradamente fieis e abnegados e ainda atuando com força e influência para atender aos objetivos do perigoso e violento Coriolano Coutinho.

Eles comandam parte das forças policiais do Estado

Enquanto esses braços armados dessas forças policiais não forem amputados, mesmo preso, Coriolano tem todas as condições de impor o terror, de coagir e intimidar testemunhas como alerta o diligente desembargador ao ministro do STF.

Agora, desembargador, é preciso coragem para dar nome aos bois.

Desembargador Ricardo Vital alerta Gilmar Mendes sobre risco de soltar Coriolano Coutinho

O desembargador da Paraíba Ricardo Vital de Almeida, que prendeu Coriolano Coutinho no ano passado, enviou a Gilmar Mendes um alerta sobre o risco de soltar o irmão do ex-governador Ricardo Coutinho, apontado como chefe do esquema que desviou R$ 134 milhões do estado.

Em ofício encaminhado ao habeas corpus de “Cori” no STF, o magistrado diz que, além de responsável pela coleta de propinas, ele também tem poder de intimidar testemunhas com dossiês ou mesmo atos de violência, “pelo domínio que exerce sobre as forças policiais”.

Não bastasse, Coriolano regeria um “ecossistema de laranjas” para ocultar a origem dos bens e valores desviados no esquema de corrupção.

“Existe risco concreto de o investigado interferir nas investigações, mediante contato ou ameaças a pessoas, testemunhas e investigados, inclusive ocultando ou fazendo ocultar elementos de prova importantes à elucidação dos fatos investigados na Operação Calvário”.

Além de habeas corpus de Coriolano, cabe a Gilmar Mendes decidir sobre pedidos de liberdade de outros oito investigados no escândalo.

Redação/O Antagonista