Coronel apontado por delator teria tirado férias e se afastado do cargo; Governo possui relatórios que informam quem faz espionagem na PB

As delações do ex-assessor jurídico da secretaria de Saúde do Governo de Ricardo, Bruno Donato, aparentemente não causaram impacto no interior da gestão atual por haver desconfiança no que dizem os delatores supostamente ansiosos para se livrarem das acusações que pesam contra eles, e dispostos a jogar na fogueira quem possa livrar-lhes a pele como deixa transparecer influente cardeal da administração João Azevedo.

Eles estão por toda parte

As acusações fulminantes de Bruno Donato, que abalou os arredores do palácio, não tiveram impacto junto aos atilados conselheiros políticos de João Azevedo, que esperam uma manifestação do Ministério Público a respeito da delação cujo teor vazou para alguns blogs.

Para muitos desses cardeais, depois que as acusações contra Lula foram rejeitadas, as delações perderam força como se elas fossem manifestação de leviandade e embutissem o desejo de sensacionalismo dos investigadores que integram o Gaeco.

Eles salientam a despeito dos indícios gritantes da existência de um esquema de espionagem, arquitetado por Ricardo Coutinho – um verdadeiro SNI socialista, que João, por ser um homem reconhecidamente probo, não faria uso desses recursos escusos.

Agem na sombra e no anonimato

Nem mesmo episódios como o do P2 instalado nas proximidades do gabinete do secretário de Segurança e dos relatos oficiais informando ao governador desse esquema de escuta clandestina, que atingiria o próprio governador e família, são capazes de convencer esses avestruzes do perigo real que essa teia de espionagem representa.

O detalhamento das ações, revelado pelo delator, que relatou nomes, quantias e endereços, deve ter consistência porque o MP pode ter constatado a veracidade do seu depoimento.

Mas todo esse acervo de revelações ainda não seria suficiente para inquietar o Governo de João e seus conselheiros, esperando a casa cair para ver o que sobra dos escombros.

Porém, como caldo de galinha e cautela não faz mal a ninguém, o coronel Anderson Pessoa, um recordista em provas de velocidade como registra sua meteórica ascensão funcional, fazendo jus a fama, teria entrado de férias numa manobra rápida para sair do foco dos acontecimentos.

É óbvio que essa rede de espionagem, já apontada pela Operação Calvário, não contaria apenas com a participação de um ou dois integrantes das forças policiais.

Para atingir a periculosidade que atingiu ao ponto de submeter o Estado, acorrentando os Poderes como é fácil de se apreender pela cumplicidade e até passividade de muitas autoridades diante da insolência e ousadia da quadrilha obviamente que o esquema necessitaria de uma estrutura muito grande capaz de percorrer o estado e nada como as forças policiais para prestar esse serviço.

Concreto mesmo são os fatos narrados pelos delatores que vêm apenas confirmar o que todo mundo já sabia: quem são as forças policiais e de onde elas operam.

Agora que João Azevedo é um homem íntegro e não precisa de SNI todos sabemos: o que não se entende é porquê ele não desmontou o esquema e manteve todos os “espiões” nos cargos.

As revelações da Calvário seriam suficientes para mandar todos para casa com o agravante de que essa rede de espionagem continua agindo dentro do Governo submetendo o Estado aos interesses mais vis.

Essa satisfação, João deve a sociedade paraibana, até porque já foi informado por auxiliares leias e dignos da existência dessa rede clandestina com farta documentação contida nos relatórios sigilosos da Inteligência da Policia Civil.

Falta agir com a coragem que a decência e a probidade emprestam.