Complacência com o crime organizado estimula Márcia Lucena afrontar Ministério Público ao afirmar nas redes que o órgão denigre sua reputação

Quando o ministro do STJ, Napoleão Nunes Maia decidiu revogar a prisão do ex-governador Ricardo Coutinho e demais asseclas socialistas, entre eles a prefeita de Conde Márcia Lucena, sua decisão encontrou respaldo junto a colega Laurita Vaz que avaliou mal a periculosidade da quadrilha concluindo que não oferecia riscos ao desenrolar das investigações.

Casal 20 da Operação Calvário

Ledo engano dos dois magistrados haja vista os desdobramentos que alcançaram níveis de desacato afrontoso a Justiça com manifestações em redes sociais e outros espaços da mídia, onde o que foi apurado e reunido em processo com abundância de provas materiais, ganha conotação de injustiça e perseguição política.

Sem ter como refutar as provas devastadoras, a quadrilha passou usar as redes sociais para blasfemar contra o Ministério Público acusado de carrasco de suas reputações e de ter um propósito político, que seria impedir que permaneçam nos cargos se locupletando dos recursos públicos.

Márcia acusa MP de perseguição política e de atacar sua reputação

Um discurso que afronta a lógica por não conseguir apagar gravações devastadoras sobre as negociatas entre a prefeita, seu marido e o delator resumindo-se numa tentativa grotesca para denigre o trabalho dos procuradores, que integram o Gaeco.

Esses atentados persistentes ao Ministério Público, onde a mentira segue o ritmo dos impostores na desbragada intenção de se tornar verdade para os crédulos e incautos têm-se constituído numa arma poderosa, usada com requintes de cinismo, que começa ganhar espaço numa sociedade que se acostumou conviver com a indecência de forma complacente.

Ao permitir que esse bando continue agindo com essa desfaçatez de tal intensidade que a prefeita se ache na razão de representar contra representantes do Ministério Público, alegando perseguição, a Justiça se fragiliza e até se desmoraliza diante da opinião pública, atordoada com esse uivo de hienas, ao acossar as instituições de forma tão agressiva e descarada.

Está passando o tempo de recolher essa gente aos presídios de onde não deviam ter saído como forma de mostrar que o crime não compensa. Nada mais afrontoso aos princípios da moralidade do que um gestor no cargo portando tornozeleiras e com espaço político para denegrir autoridades como se vê na página do PSB, partido que virou sinônimo de corrupção.

CALVÁRIO: Márcia volta a insinuar que Ministério Público age com motivação política contra ela

A página oficial do PSB da cidade de Conde divulgou um vídeo no qual a prefeita Márcia Lucena aparece acompanhada pelos cinco vereadores que compõem sua base política e pelo presidente municipal da legenda Alecsandro Pessoa.

No vídeo de 14 minutos Márcia exaltou suas ações, se colocou como vítima de uma armação ‘política’, disse que tem consciência do que fez e do que não fez, porém não comentou sobre a gravação de uma conversa entre ela, seu marido, Livânia Farias e Daniel Gomes, divulgada pelo MP que aponta o recebimento de propina durante a campanha eleitoral. Depois disso, ela ainda argumentou que não merece ser “arrancada da cadeira”.

Numa clara tentativa de descredibilizar o Ministério Público, Márcia diz que não há nada de novo na denúncia e que a peça apenas mostra que houve pressa por parte do MP, para em seguida insinuar: “Acho que por trás disso pode ter uma intenção mais política do que jurídica”, disse.

Márcia também não comentou sobre o fato do Ministério Público afirmar que o automóvel no qual ela andava durante a campanha é fruto de propina. A gestora ainda deixou de comentar a acusação de que o ex-governador Ricardo Coutinho lhe orientara a aumentar impostos para custear despesas com empresas ligadas ao esquema criminoso do qual ela é apontada como uma das líderes.