Calor favorece aumento de casos da “doença da mosca”

Com a temperatura mais elevada nas últimas semanas, já foi possível perceber um aumento de quadros virais respiratórios e gastrointestinais nas unidades de saúde em João Pessoa, conforme informações da secretaria de Saúde do município. Trata-se da “Doença da mosca”, como é popularmente conhecida. (via jornal A União)

A Gastroenterite Aguda ou Doença Diarreica Aguda, nome científico da doença, é causada pelo Adenovírus, de acordo com o médico infectologista Fernando Chagas. Ele explicou que é uma doença sazonal que com esse clima que está cada vez mais quente é muito comum o aparecimento de moscas, em virtude do calor que favorece a proliferação do inseto.

Além disso, a doença está ligada a falta de hábitos de higiene como lavar frutas e verduras, lavar as mãos, não acumular lixo com restos de comidas perecíveis para não atrair o inseto, evitar colocar as mãos na boca e nos olhos, são algumas medidas que podem afastar as moscas e evitar, consequentemente, a contaminação com a doença.

De acordo com Chagas, o vírus atinge tanto o sistema gástricointestinal como respiratório, sendo muito comum em crianças, porque que possuem o hábito de colocar as mãos na boca. O Adenovírus é um vírus respiratório comum, podendo ficar no corpo por alguns dias e se diferencia das demais doenças respiratórias pela persistência dos sintomas. Segundo o especialista, as crianças podem ficar com febre em torno de três a cinco dias, sendo que em outras doenças virais, nesse tempo, a criança já estaria recuperada.

Quando o vírus atinge a região gastrointestinal, pode causar diarreia e vômito. Já quando afeta o sistema respiratório, pode apresentar coriza, tosse e febre alta sendo mais persistente, chegando ao ponto de ser confundido com bactéria. Porém, quando isso acontece, pode ser tratado de forma equivocado com uso de antibiótico. Chagas contou ainda que o vírus ficou conhecido durante a pandemia porque ocorreram alguns casos em que crianças foram contaminadas por ele e, em seguida, pelo Sars-COv-2, vírus da Covid-19, desse modo, correndo o risco de desenvolver hepatite.

Por conta da proliferação da mosca neste período, a transmissão do vírus tona-se propensa, sendo suficiente que o inseto pouse no alimento, no canudo ou no copo, por exemplo, para alguém ser contaminado, exemplificou o infectologista.  “Quando o vírus atinge a região gastrointerstinal, chamamos de ‘doença da mosca’, mas pode afetar também o sistema respiratório. Neste caso, a transmissão se dá por meio do contato de gotículas de saliva provenientes da boca ou do nariz”, ressaltou. Diante disso, alertou sobre a importância do uso de máscara para qualquer pessoa que apresente sintomas de síndrome respiratória, a fim de evitar o contágio de mais pessoas.

O Adenovírus diminui a ação de um tipo de célula de defesa da família das polimorfonucleares, são as células que evitam a infecção bacteriana. Portanto, esse vírus facilita a infecção bacteriana causando sinusite, garganta inflamada e otite. Neste último caso, o especialista alerta que, embora o risco seja pequeno, a otite pode desencadear uma meningite. Inclusive, ele citou que já chegou a atender uma criança com abcesso no cérebro, causado por um meningite oriunda de uma infecção viral. Logo, tomar os cuidados necessários é muito importante para afastar qualquer possibilidade de contaminação.

A “Doença da mosca”, geralmente, não é grave, mas é importante evitar que se espalhe e futuramente sobrecarregue o sistema de saúde. Diante disso, é importante ficar atento aos sintomas mais comuns que são tosse, coriza e febre em torno de 38,5 ou 39, sendo recomendado o uso antitérmico e remédio para coriza, além de tomar muito líquido e ficar em repouso. Se depois de três dias, os sintomas persistirem, principalmente a febre, é importante levar ao médico, porque pode ser uma infecção bacteriana secundária, causada pelo adenovírus   pela persistência do quadro febril.

Os cuidados para evitar a contaminação são básicos como lavar as mãos; separar utensílios como roupa, toalha de quem apresentar sintomas; a criança não deve ir ao colégio se estiver com coriza e febre; fazer a devida higienização das frutas e verduras; não acumular lixo em casa com restos de comida. Além disso, o uso de máscara para quem estiver com sintomas respiratórios.

De acordo com o secretário Saúde do município, Luís Ferreira, ainda não existe uma sobrecarga nos serviços de saúde em relação à “doença da mosca”. Ele disse que “nesse primeiro momento, o que podemos fazer é informar por meio de campanhas de conscientização quanto a não acumular restos de alimentos perecíveis estragados em lixo, não deixar lixo aberto, porque essa doença está muito relacionada a ambientes que atraem esse inseto, por isso manter a higiene é fundamental”.

Ele informou ainda que não existe uma medicação específica, mas que a prevenção é uma medida importante, além do que, em casos mais graves, o paciente deve procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima à residência, estando preparada para receber aqueles que precisarem. Quanto à campanha, a secretaria informou que está em fase de produção para ser divulgada.

Foto: Reprodução

Texto original: jornal A União