Assassinato de empresário confirma falácia do policiamento ostensivo e preventivo na PB

Um dia de sol, uma praia ao alcance de alguns passos, muita disposição para viver, um ciclo invejável de amizades, vida financeira tranquila, tudo isso pode se transforma nos ingredientes perfeitos para uma tragédia como a que surpreendeu o empresário Uranildo Cunha, assassinado, ontem, às 10 horas da manhã, em um dos bares mais frequentados da orla pessoense.

Uranildo saiu para comemorar e morreu no caminho

Uranildo foi à praia na companhia da namorada e de uma amiga dela sem jamais imaginar que não voltaria desse lazer abatido pela violência desenfreada que assola o Estado há quase uma década e que a propaganda maciça do governo procura esconder, abafar sem, contudo, conter, apesar das reiteradas tentativas de dourar a pílula com ufanistas estatísticas.

O empresário, que comemorava 60 anos, teria sido baleado depois de reagir a uma suposta tentativa de assalto, cometido em plena luz do dia, na beira-mar de uma das praias mais frequentadas da capital paraibana, o que não poderia ser o cenário ideal para tamanha violência muita mais recorrente em vielas e becos esconsos da periferia.

Bem relacionado, com amizades nos mais diversos segmentos da sociedade, amigo de deputados, delegados e ex-comandantes da PM, ironicamente, Uranildo foi vitima muito mais da falta de planejamento policial ostensivo e preventivo do que propriamente da ousadia de bandidos provavelmente conhecedores dessa deficiência operacional que os encoraja agir.

O local onde aconteceu o assassinato é uma das áreas mais populosas da cidade e uma das mais frequentadas por turistas que visitam a capital paraibana, mas na hora do crime não havia vestígios desse policiamento tão festivamente anunciado pela propaganda oficial e que hoje comemora a redução dos índices de violência com uma corrida pela paz, o que não deixa de ser uma ironia.

Enquanto Uranildo é velado por familiares e amigos, o homem que alardeia competência e qualificação para comandar o planejamento preventivo e ostensivo da Polícia Militar enverga uma camiseta de propaganda concitando a população se integrar na corrida que dizem ser pela Paz.

Uranildo é a prova trágica de que, as tão festejadas unidades de combate ao crime não conseguem conter a violência e nem todo aparato distribuído nas inaugurações de fancaria é capaz de impedir que os assaltos recrudesçam já que os corpos permanecem estirados no chão aguardando a presença do IML.

Enquanto as famílias enterram seus mortos, o governo comemora a Paz

A Corrida Pela Paz acontece enquanto os sinos dobram por Uranildo ainda insepulto e sem jamais saber quem lhe tirou a vida nem ele nem os familiares e amigos pelo menos até o momento já que não há vestígios da identidade de quem cometeu o crime.

Os assassinos de Uranildo dispararam tiros à queima-roupa e saíram tranquilamente do local sem ser identificados sequer perseguidos por uma das 250 motos que o Governo comprou e o comandante da Polícia anunciou com estardalhaço, cuja mobilidade enfatizada favoreceria o combater aos roubos ao patrimônio.

Nesses espaços luxuosos não falta policiamento

Nem as motos e muito menos qualquer policiamento ligado a Companhia criada para proteger o turista, instalada em Tambaú, integrada por pouco mais de 50 policiais, encarregados de policiar toda orla paraibana nem mesmo o helicóptero, que sobrevoou a área, conseguiu localizar os criminosos.

Privilégio

Enquanto no local do crime nem sombra de policiamento muito menos de viaturas, condomínios de luxo têm segurança gratuita garantida por viaturas policiais plantadas 24 na porta como se pode constatar nos prédios de luxo no Altiplano.

Se não há policiamento no Bessa sobra no Altiplano para os condomínios de luxo

Contrastes de uma policia cujo comando capenga há quase uma década prestando serviços que só satisfazem aos adeptos da pirotecnia, da fanfarra ou dos espetáculos circenses, ou mais graves, aqueles serviços que o mundo tenebroso da espionagem clandestina pode prestar.

O empresário passa ser mais uma vítima do desastrado policiamento ostensivo e preventivo existente apenas nas festividades de inauguração, desfeito assim que os refletores se apagam e a banda silencia.