Ações de sabotagem, espionagem e boicote causam pandemônio no cotidiano do estado; autoridades sabem quem são os responsáveis e de onde partem as ordens para invadir a privacidade de pessoas e sistemas

Diante dos muitos e recorrentes episódios envolvendo invasão de computadores de repartições públicas e celulares de autoridades – além de tentativas de desestabilizar blogs e portais – pode-se afirmar que a Paraíba vive um momento muito tenebroso, onde a privacidade deixou de ser santuário protegido pela constituição para se tornar alvo de ataques de interesses criminosos de um bando cuja localização supõe-se estar em um dos poderes, agindo ousada e acintosamente diante da omissão das autoridades estranhamente tolhidas, apesar de saber que o esquema existe e quem o opera e comanda.

Deixou de serem fortuitas e pontuais as invasões para se tornarem corriqueiras e sem fronteiras e mais ainda sem medo e sem pudor.

O auge dessa movimentação sombria e acintosa estaria na invasão da privacidade do Secretário de Segurança, que se repete no ataque criminoso aos computadores da CINEP, um dos órgãos na mira das investigações sobre as atividades da organização criminosa que vem sendo desbaratada pelo Gaeco.

Nada disso é desconectado muito pelo contrário pode-se deduzir que essas ações obedeçam a um único comando e a um único esquema criminoso e elas dariam suporte a organização desbaratada, invadindo privacidades e sistemas, colhendo dados e informações e que, agora agem desesperadamente para apagar rastros que possam levar aos chefões.

Eles estão dentro do Governo e agem de dentro do Governo e é só perguntar a João onde eles estão

O que ocorreu na Cinep seria a demonstração do poder de sabotagem e da capacidade de acompanhar passo a passo as investigações em curso antecipando-se na destruição de provas e na manipulação de dados, atacando computadores, como atacam tudo que, por essa ou aquela razão, ameace a quadrilha tão cuidadosamente organizada e tão competentemente distribuída na máquina estadual, mas agora correndo o risco de ser desativada pela caneta e pelo diário o que não estava nos planos da política de continuidade.

O que aconteceu na Secretaria de Segurança com o espião surpreendido vasculhando a privacidade do secretário acontece também na Cinep com outra modalidade, mas com a mesma origem, provavelmente acontecendo em outros setores do Governo, infestado de espiões e sabotadores como já denunciou o próprio Governador e também auxiliares da projeção do Secretário da Segurança, porque o esquema criminoso tem especialistas na área de informática com capacidade e competência para invadir sistemas e celulares e isso estaria ocorrendo em várias situações, entre as quais o de desestabilizar blogs e portais como já aconteceu com este espaço e com o de outros jornalistas que denunciam os chefões escondidos por detrás de cargos de confiança e de influência, que ainda sobrevivem na atual equipe de governo.

Um esquema velho e organizado que atua sob as ordens de um só comando

Os ataques a celulares de deputados, pedindo dinheiro, seria apenas uma camuflagem para disfarçar os reais interesses do esquema de espionagem transformando uma ação de profissionais em ações de bandidos vulgares à procura de ganhos fáceis, quando na verdade seria como já se suspeita e se tem fortes indícios – o esquema de espionagem, sabotagem e boicote, já teria transposto as fronteiras do Executivo, penetrando nos demais poderes.

As autoridades competentes já sabem de onde provêm esses ataques, quem os comanda e como faz, porque até os instrumentos capazes de atuar nesse serviço sombrio foram localizados, e as pessoas com capacidade para manipular e acionar esse arsenal, devidamente identificadas, o que falta agora é coragem e ação para contê-los e os retirarem de circulação.

Nenhuma dessas ações relatadas acima acontece desordenadamente pelo contrário são coordenadas e bem coordenadas e obedecem a um comando único a serviço de interesses os mais abjetos e por demais entrelaçados com os interesses da organização que vem sendo desbaratada e que com as delações homologadas pela Justiça deve-se chegar brevemente aos chefões.

Não precisa nem chamar Sherlock Holmes basta o comissário da esquina.