Aberta a temporada de pesquisas eleitorais; conheça mais sobre o assunto

Campanhas eleitorais nas ruas e em cada intervalo da programação em rádios e televisões. Agora sim, a menos de 40 dias do primeiro turno, parece que as eleições e a corrida pelos cargos começaram efetivamente. Com maior inserção no dia a dia dos brasileiros, cada passo dos candidatos pesa na decisão do voto dos eleitores e, para medir e acompanhar essas tendências, as pesquisas de intenção de voto aparecem como uma importante ferramenta à sociedade.

“A pesquisa eleitoral é um método utilizado pelos institutos de pesquisa para sondagem, por amostragem, com o intuito de detectar a predisposição dos eleitores de votar, remetendo a realidade num dado momento do processo eleitoral”, falou Bruno Agra, um dos proprietários do Instituto DataVox.

São as pesquisas que indicam redirecionamentos de estratégias, provocam a movimentação por novos apoios de outros políticos, empresários e incentivadores para uma campanha eleitoral, pautam a agenda dos candidatos e, também, estimulam os eleitores no processo de decisão do voto principalmente entre os cidadãos que ainda não definiram seu voto, já que oferecem a estes um grande número de informações, como explica o cientista político Rafhael Jerônymo.

“As pesquisas de cunho eleitoral, são balizadoras do momento no que a percepção da sociedade e de grupos de interesses têm em relação aos nomes que estão postos para a decisão de escolha do eleitor. Existem diversos perfis de eleitores que podem ser mais ou menos suscetíveis a caminhar de acordo com o que a sondagem eleitoral pode aferir. Pesquisa eleitoral pode sim auxiliar aquela porção do eleitorado que caminha indeciso em cada fase da campanha”, explicou o cientista.

Com essa função de extrema importância assumida pelas amostras político-eleitorais, os institutos de pesquisa têm, cada vez mais, seus serviços procurados e testados a cada amostragem e a cada pleito. Segundo Bruno Agra, o instituto paraibano vem atendendo dentro da normalidade, mas espera um aumento no período próximo ao encerramento das eleições.

Em 2018, 96 pesquisas eleitorais foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições gerais e outras 12 foram registradas nas suplementares, o segundo turno. Neste ano, o TSE registrou só em agosto um montante de 43 pesquisas. Na Paraíba, até o momento, foram registradas cinco pesquisas. Os institutos trabalham também com a realização de pesquisas internas, que auxiliam as estratégias políticas.

“As campanhas eleitorais deixaram de ser intuitivas e se tornaram racionais, deixando de lado palpites gratuitos e fazendo-se do uso das pesquisas para a tomada de decisões. Portanto, a política deixou de lado o amadorismo e passando cada vez mais a ser profissional. As pesquisas eleitorais passaram a ser uma ferramenta indispensável para os candidatos que buscam uma vaga para qualquer cargo, já que os orientam em suas estratégias e tomadas de decisões”, ressaltou Bruno Agra.

As pesquisas eleitorais no Brasil são oriundas de estratégias de mercado, através da criação do precursor Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), em 1942, que saiu da busca pela mediação de audiência para os cenários políticos e preferências de eleitores. Fundamentados em estudos rigorosos de estatística, a primeira pesquisa eleitoral foi registrada já em 1945.

No entanto, foi só a partir da década de 80 que as pesquisas de intenção de voto passaram a fazer parte do cotidiano das campanhas eleitorais, com a superação do período da ditadura militar, restabelecimento da democracia e criação de outros institutos de pesquisa. Ao longo dos anos, a confiabilidade nos dados coletados e apresentados cresceu.

“Desde 2007, o TSE regulamentou a divulgação de pesquisas eleitorais, dotando de mais segurança em relação aos dados coletados e apresentados para o eleitorado. Os principais institutos de pesquisas, tradicionalmente cravam o resultado depositado nas urnas, sobretudo na sondagem feita no afunilar da campanha eleitoral”, afirmou Rafhael Jerônymo.

Não há um modelo estatístico que seja capaz de confirmar o resultado do pleito com antecedência e, por isso, torna-se comum as comparações entre as amostragens e o resultado consolidado, com a divulgação dos números exatos das eleições. O que os institutos e seus contratantes deixam explícito. Ainda assim, os dados apresentados podem ser difusos e, até, sofrerem com o processo de descredibilização. Ocorrendo, geralmente, quando candidatos, chapas e eleitores discordam dos resultados das amostragens.

Além da crise da pós-verdade e ascensão de notícias falsas, os institutos tendem a não divergir da tendência final, mesmo que se utilizem de procedimentos distintos de acordo com a estatística. Por isso, discrepâncias muito dilatadas tendem a gerar desconfiança.

Na semana passada, o Instituto 6sigma, sediado em Campina Grande, divergiu da tendência nacional nas pesquisas para a corrida presidencial de 2022. Diferente das demais pesquisas divulgadas até o momento, o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) que tenta a reeleição liderava as intenções de voto na amostragem com 35,7%, enquanto o ex-presidente Lula (PT) aparecia na segunda colocação com 28,2%. A pesquisa ganhou destaque nacional pela divergência. O jornalista Reinaldo Azevedo, comentarista político, ironizou a amostragem. “Vai ver que está todo mundo errado e só a Sigma está certa”.

As demais pesquisas divulgadas até o momento mostram o petista liderando as intenções de voto com uma certa vantagem. Uma discrepância confirmada sobre o mesmo fato e mesmo período de tempo de outras pesquisas, como Datafolha, que mantiveram a tendência observada anteriormente. A avaliação do público e o confronto com os resultados finais tornam qualquer possível manipulação de informações um ato prejudicial para a própria empresa.

“Em minha opinião, o que o eleitor, que é o principal agente na agenda política deve fazer, é buscar acompanhar as tendências combinadas dentre os principais institutos eleitorais, acompanhando inclusive a sua tradição e histórico de acertos em eleições anteriores. Parece não ser uma atividade fácil, mas existem diversos veículos na imprensa, que fazem este combinado entre os principais institutos. Uma variação que foge da tendência central, é questionável. Não tem jeito”, declarou o cientista político Rafhael Jerônymo.

A crise de confiança em determinados levantamentos também alimentam e movimentam as peças no tabuleiro do jogo político. É a partir disso que candidatos que não se apresentavam bem nas demais amostragem podem agir para motivar seus eleitores e militância.

É importante ressaltar que as pesquisas são importantes ferramentas para balizar eleitores, candidatos, mas outras variáveis precisam ser observadas. Para os eleitores, a atenção aos projetos políticos de governabilidade de cada candidato, com suas propostas, devem ser levadas em consideração.

Por Ana Flávia Nóbrega

Transcrito do jornal A União

Foto de Fauxels-Pexels