Articulista analisa fenômeno militar nas eleições municipais

 

Mais um artigo do articulista Arnaldo Costa analisando a enxurrada de militares nessa eleição municipal. Com sua perspicácia o coronel reformado da Policia Militar expõe seus pontos de vista sobre a onda militarista que se transformou no principal fenômeno desse pleito:

Invasão dos militares

Essa invasão não se trata da discorrida pelo filósofo Mário Ferreira em seu famoso livro Invasão
Vertical dos Bárbaros, mas que serve como ideia para levantar algumas possibilidades de tal
fenômeno nos sentidos vertical e horizontal. Aproveito para ressalvar que não comparo os atores
dessa “invasão” aos bárbaros, a menos que depois de quatro anos a população assim venha a
considerar.

Nessas eleições que se avizinham, vejo esse fenômeno com naturalidade e que já era o previsto.
Mas o que o me causa surpresa é a quantidade de candidatos policiais e bombeiros militares.

Pela natureza de suas atividades exercidas, o mais indicado seria que esses candidatos
escolhessem a Assembleia Legislativa já que suas experiências são mais voltadas para problemas
de âmbito estadual. O exercício do mandato de Vereador limita-se à esfera do município, o que
distancia os anseios de seus eleitores mais aproximados que são os servidores públicos estaduais.

Porém, há uma justificativa para essas postulações à Câmara Municipal. É que o militar sendo
vereador ganha visibilidade e tribuna para alcançar os governantes estaduais, principalmente por
estarem aqui na Capital do Estado. Os seus pronunciamentos, posições tomadas e reivindicações
serão muito mais ouvidas do que outros Vereadores que estejam em Municípios distantes da sede
do Governo Estadual e das maiores mídias aqui localizadas.

Mas quais seriam as razões para essa “invasão” horizontal de militares ao Legislativo Mirim?
Posso levantar, pelo menos, seis razões.

Sem nenhuma dúvida, a primeira delas é o efeito Bolsonaro que contagiou toda a classe militar
deste país e fez com que a grande maioria dos brasileiros apostasse naquele então candidato,
Capitão do EB e que defendia valores bastante usuais nos ambientes militares e ligados a pátria,
família e Deus. Subjacente a esses valores, surgiu uma novidade: a defesa da verdade e da
honestidade, tão ausentes nos círculos políticos do Brasil, principalmente nos últimos trinta e
cinco anos.

A segunda razão, comum aos demais candidatos, fica por conta da facilidade que oferecem as
redes sociais para atingir milhares de possíveis eleitores, fato também oriundo da campanha
vitoriosa e barata do fenômeno Bolsonaro.

Já a terceira razão nos remete à ideia de que o caminho mais indicado para alçar vôos mais altos
é ser Vereador com intuito de ganhar os espaços político e midiático.

Vem a quarta razão a qual me junto a todos eles. É a de que são pessoas com formação militar,
condutas ilibadas e que foram formadas visando defender a sociedade, inclusive com sacrifício
da própria vida. Esse quadro de qualificações é o grande diferencial de outras candidaturas.

Concluindo tais razões, incluo a de que esses candidatos policiais e bombeiros militares
começaram a se conscientizar do poder e da dimensão que são possuidores o Corpo de
Bombeiros, e principalmente a Policia Militar que é a única organização pública presente e
atuante em todos os rincões deste Estado, como acontece igualmente em outras Unidades da
Federação.

O poder dessas Corporações através de suas Entidades Representativas ainda está latente, tanto
que por esse universo daria para eleger no sentido vertical mais de dois Deputados Estaduais,
além de outros cargos eletivos. Em cada um dos 223 Municípios, elegeria um ou dois
Vereadores. Os efetivos delas somam cerca de 12 mil profissionais. Considerando suas famílias,
esse quantitativo iria para mais de 45 mil pessoas, sem incluir amigos e simpatizantes. Ah. Ainda
tem o contingente dos reformados e suas famílias, no qual me incluo. É muito poder ainda não
utilizado.

Pergunta-se: por que não pensar em formar um Partido Político para abrigar todo esse potencial
espalhado pelo território brasileiro? E este aqui responde: esperemos mudar a maioria dos
membros do TSE. Atualmente, não há a mínima possibilidade pelos fatores já bem conhecidos
por todos nós, especialmente analisando a tentativa da formação do Aliança pelo Brasil,
encabeçada pelo odiado Bolsonaro nos desacreditados Tribunais, especialmente junto aos “11
supremos”. Que Deus os mantenha no pedestal e o diabo os carregue para os últimos círculos do
inferno de Dante, onde irão se juntar à hipócritas, falsários e traidores como Brutus, Judas
Iscariotes, Fidel Castro, Chávez, Mao Tsé-Tung, Hitler, Stalin, Lenin e outros facínoras.

Voltando às eleições, vejam os resultados das últimas eleições. Nas eleições municipais de 2016,
o menos votado conseguiu 4.382 votos. E nas eleições de 2018 para Deputados, o menos votado
alcançou apenas 17.437 votos.

Vou apostar em mais uma razão que seria o misto de maturidade e compromisso que tais
candidatos representam para o eleitorado em geral. É outro grande diferencial desses candidatos
perante aos demais, sem nenhum demérito, pois estou destacando o algo a mais.

Acho que está faltando outra razão. Mas já são 03:40h, o sono bateu e o raciocínio fica lento.
Preciso melhorar meu chip de memória. Então, deixo para o leitor ou leitora opinar à vontade.
Sucesso para todos os candidatos policiais e bombeiros militares. E que “invadam” mais as
esferas políticas deste Estado!

Arnaldo Costa