Estamos efetivamente apoiando o Bolsonaro? – A saga

 

O coronel da reserva Arnaldo Costa escreve mais um artigo onde indaga se os seguidores de Bolsonaro estariam efetivamente apoiando o presidente e se essas manifestações garantiram a estabilidade da gestão do capitão diante do bloqueio instituído por forças que se opõem ao Governo atual. Abaixo transcrevemos as considerações do oficial paraibano:

Estamos efetivamente apoiando o Bolsonaro? – A saga

Arnaldo Costa
Todos os domingos há manifestações populares pró Bolsonaro. Isso acontece tanto na Esplanada como nas grandes
cidades deste país, fato nunca visto na história política do Brasil. Vemos milhares de pessoas vestidas de verde-
amarelo, com faixas, carros de som e gritando palavras de ordem.
Adeptos ao Bolsonaro não param de manifestar seu apoio pelas redes sociais. Os portais conservadores, sem
patrocinadores de peso, estão insistindo em atuar com entrevistas com políticos, professores, empresários,
jornalistas, militares, gente do povo e outros que defendem a estabilidade do governo federal.
Lamentavelmente, tudo isso não vem surtindo o efeito desejado diante de tantas intromissões feitas por alguns juízes
da Corte maior, pelas lideranças do Congresso e pela grande mídia capitaneada pelos Marinhos ao lado da CNN.
Você realmente se sente dando apoio ao Presidente Bolsonaro? Bastou votar nele? Basta fazer manifestações?
Vemos um governo acuado e cada vez mais impotente para continuar administrando este país, apesar da alta
qualificação técnica e moral do seu Ministério. Tudo que o Bolsonaro tenta agilizar é travado por conhecidos juízes da
Corte maior ou pelo “Botafogo”.
Então, o brasileiro conservador fica pensando o que fazer pra sair desse cerco. Intervenção Militar? Pedido de
plebiscito?
A primeira indagação não parece ser o caminho mais lógico ou democrático, muito embora o artigo 142 da CF dê
guarita a essa alternativa. Poderia trazer mais conturbação social e política do que resolução do problema.
Já a segunda pode ser vista como temerária e ou desnecessária. No caso da população se posicionar pelo SIM
(continuidade de seu mandato), o que ganharia o Bolsonaro? Teoricamente nada e os seus opositores oficiais
continuariam agindo. Ganharia prestígio internacional? Mas o jogo é jogado aqui. Vamos dar tempo ao tempo. Afinal,
diz Sto. Agostinho: “O mundo não foi feito no tempo, mas com o tempo”.
Diante desse autêntico tabuleiro de xadrez, não vemos uma alternativa plausível pelas vias regulamentares ou
constitucionais. Então, temos que partir para dois insumos. Um já está no mercado que é a mídia alternativa; e o
outro, um tanto quanto raro, mas que precisa ser exercido: inteligência, e por que não?
Peço licença ao professor Olavo de Carvalho para reproduzir parte de sua opinião publicada no portal Conexão Política
de 07.06.2020: “Simples: pressionar aqueles gigantes financeiros que dizem apoiar o governo e as ideias para investir
nos meios de informação que ajudam a combater o maquinário ideológico e falsificador de informações da grande
mídia. Eles vivem ditando o que é “fake news” e iniciativas como “sleeping giants” ganham força justamente pelo fato
de mídias alternativas dependerem de monetização do Adsense, que é um meio limitado e completamente frágil de se
manipular caso alguém ludibrie as empresas a boicotarem meios alternativos de informação como combate político
ideológico.”
Continua o professor: “Se mais pessoas apoiam e contribuem com a mídia alternativa, mais ela se fortalece. Se a
classe empresarial que assume identidade política, também atuar financiando e alimentando os meios culturais
conservadores, a direita também se fortalece subsequentemente. Isso é algo completamente normativo e cultural no
exterior.”
E conclui aquele pensador: “Além do mais não precisamos somente alertar para uma cultura do voluntarismo
financeiro para os meios de informação conservadores, como também precisamos de maior atuação jurídica de
advogados conservadores dispostos a defender seus influenciadores e pensadores do gigante maquinário difamatório
e calunioso da oposição esquerdista hegemônica.”
Resumo da ópera: primeiro, pressionar quem você compra (grandes empresas) para patrocinar a mídia alternativa. E
boicotar aquelas que promovem a grande mídia. Ora, se o atual governo for pra o brejo, os grandes empresários irão

também, já que inevitavelmente acontecerá o vemos na Venezuela e mais recentemente na Argentina com confisco
de contas e de empresas, e a economia desabando. Voltaremos às bandalheiras das esquerdas, não tenham dúvida!
Segundo, prestigiar a mídia alternativa fazendo assinaturas ou contribuições em seus portais, blogs, sites, cursos etc.
Além de alimento cultural, estaremos fortalecendo quem mostra a cara pra tapa contra esquerdistas, incluindo
personagens da Corte maior.
Terceiro, os milhares advogados conservadores deste país se organizarem e estarem disponíveis para judicialização de
fatos que possam incriminar políticos que caluniam o Bolsonaro e seus adeptos, bem como para rechaçarem as
investidas da oposição raivosa contra o governo federal, como um todo. Outros podem alegar que a AGU e o
Ministério da Justiça podem se incumbir dessas tarefas. O fato é que precisamos de agilidade e capilaridade nessas
ações. Assim, os maus opositores vão ver que tem muita gente atenta às suas escabrosas manobras contra tudo que o
Bolsonaro quer fazer em prol do Brasil.
O professor Fernando Melo nos mostrou um pensamento de Aristóteles que serve como reflexão para nós pensantes
da direita brasileira. Diz o filósofo: “Aquele que possui inteligência capaz de fazer previsão tem naturalmente
autoridade e poder de chefe. O que possui força física para executar, deve forçosamente obedecer e servir.”
Gente, as pessoas pensantes da direita precisam sair da zona de conforto e partir para a militância com o propósito de
vencer. E fazer militância não significa sair por aí, gritando palavras de ordem, carro de som, queimando pneus ou
soltando fogos de artifício. Isso é militância de força bruta. Fazer militância com inteligência, usando táticas, plano de
ataque e recuo, estratégias, organização de grupos e os recursos das redes sociais, além de algumas ações pontuais de
afirmação junto á população.
Há outra alternativa? Vestir-se de verde-amarelo e sair gritando Bolsonaro ou abaixo o STF em manifestações
domingueiras não surtiram o efeito desejado. E mais, não esperemos pelo Exército, pois não se fazem mais Generais
como Newton Cruz, Olímpio Mourão ou Castelo Branco.
A saga continua…
Nota: livro A Política, de Aristóteles apresentado no portal Comunicação & Política (live de 12.06.20)