Provas de vida na Terra são achadas em rochas de 3,5 bilhões de anos

Cientistas australianos descobriram restos microbianos excepcionalmente preservados em algumas das rochas mais antigas da Terra, no oeste do país. O achado, que fornece pistas sobre como a vida na Terra se originou, é abordado em artigo publicado na revista “Geology”.

Estromatólitos da Austrália Ocidental contêm evidências claras da existência de micróbios no passado remoto do nosso planeta

Pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW, na sigla em inglês) descobriram a matéria orgânica nos estromatólitos (estruturas microbianas fossilizadas) da antiga Formação Dresser, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental. As estruturas datam de 3,5 bilhões de anos atrás.Já se pensava que os estromatólitos tinham origem em organismos vivos desde sua descoberta, nos anos 1980. Essa teoria não foi comprovada por quase 40 anos, porque os cientistas não conseguiam mostrar a presença definitiva de matéria orgânica preservada. O estudo atual muda esse quadro.“Esta é uma descoberta emocionante – pela primeira vez, somos capazes de mostrar ao mundo que esses estromatólitos são evidências definitivas da vida primitiva na Terra”, disse Raphael Baumgartner, líder do estudo e pesquisador associado do Centro Australiano de Astrobiologia na equipe de Martin Van Kranendonk, da UNSW.

Cano fumegante

Segundo Van Kranendonk, a descoberta é o mais próximo que a equipe chegou de um “cano fumegante” para provar a existência de uma vida tão antiga. “Isso representa um grande avanço em nosso conhecimento dessas rochas, na ciência das investigações do início da vida em geral e – mais especificamente – na busca pela vida em Marte”, afirmou. “Agora temos um novo alvo e uma nova metodologia para procurar vestígios de vida antigos.”

Entender onde a vida poderia ter surgido é realmente importante para entender nossa ancestralidade, diz pesquisador

Usando uma variedade de ferramentas e técnicas de ponta, como microscopia eletrônica de alta potência, espectroscopia e análise de isótopos, Baumgartner analisou as rochas. Descobriu que os estromatólitos são essencialmente compostos de pirita (mineral também conhecido como “ouro de tolo”) que contém matéria orgânica.“A matéria orgânica que encontramos preservada dentro da pirita dos estromatólitos é emocionante – estamos vendo filamentos e filamentos coerentes excepcionalmente preservados que normalmente são restos de biofilmes microbianos”, disse o pesquisador. Biofilmes são comunidades biológicas com um elevado grau de organização, em que as bactérias formam comunidades estruturadas, coordenadas e funcionais.

“Entender onde a vida poderia ter surgido é realmente importante para entender nossa ancestralidade. E a partir daí, poderia nos ajudar a entender onde mais a vida poderia ter ocorrido – por exemplo, onde foi iniciada em outros planetas”, acrescentou Baumgartner.

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