Jampa News

05/12/2018 às 18:37

Petição que pede a anulação das promoções de Euller Chaves revela os intrincados labirintos do poder e mostra como um major inescrupuloso conseguiu ser comandante

A petição do ex-policial militar está focada para desmanchar a promoção do então major Euller Chaves A petição do ex-policial militar está focada para desmanchar a promoção do então major Euller Chaves

Não poderia ser mais consistente e demolidora a petição encaminhada a Justiça pelo advogado José Espínola, procurador do ex-policial militar, Moacir Pereira de Moura, e que se encontra para apreciação do TCE do Estado desde janeiro de 2018, mas que não gerou até agora nenhum resultado concreto que tenha contribuído para interromper a sucessão de ilegalidades que a promoção do então major Euller de Assis Chaves acarretou.
 
A devastadora explanação do defensor do ex-policial militar revela e ressalta como a morosidade da Justiça e às vezes a sua parcialidade motivada por relações de amizade entre réus e magistrados contribuem para que atos de extrema gravidade e de escandalosa cumplicidade possam se arrastar por anos, sem que seus efeitos danosos sejam corrigidos.
 
A petição também revela o profundo e acintoso desprezo que governadores dos mais diferentes perfis políticos nutrem pela Constituição e como eles podem se afinar para validarem irregularidades que beneficiem apaniguados.
 
A petição do ex-policial militar está focada para desmanchar a promoção do então major Euller Chaves a tenente-coronel e posteriormente a coronel, o que lhe possibilitou chegar ao cargo de comandante geral pelos caminhos mais nebuloso da administração pública.
 
Pelo que reza a Constituição Estadual no que diz respeito à atividade policial militar a promoção de Euller contrariou tudo o que determina a Lei e foi feita a base do quero mando e posso que norteava a conduta do então governador Cássio Cunha Lima cujo entrelaçamento de interesses com o oficial era notório.
 
Euller foi promovido como mostra a farta documentação anexada ao processo pelo denunciante afrontando os artigos da Constituição e do Regulamento Interno da corporação que determinava a sua transferência para a reserva depois de mais de dois anos em cargo comissionado na esfera civil do estado como assessor do gabinete militar do então governador tucano.
 
Essa situação de extrema ilegalidade, que impossibilitava a promoção do então major foi afrontosamente ignorada pelo governador Cássio Cunha Lima que editou no Diário Oficial a promoção do assessor comissionado contrariando a Lei e a ordem jurídica do Estado que ele governava desastrosamente.
 
Salta à vista também que, desde que ingressou nas fileiras da Polícia Militar, o oficial dedicou-se muito mais a atividade civil do que as obrigações da caserna construindo e solidificando vínculos políticos que o beneficiaram ao longo de sua trajetória profissional ao ponto de atropelar o que determinava a Lei sem sofrer nenhuma consequência pelos atos ilegais que o beneficiaram como fica abundantemente comprovado pela farta documentação, anexada ao processo que pede a anulação de suas promoções concedidas ao arrepio da Lei e que até agora vem se arrastando pelos tribunais em consequência dos laços de fraterna amizade que o réu também conseguiu construir com servidores da Justiça.
 
Pontapé na Lei
 
Mas, não foi apenas Cássio Cunha Lima que chutou a Constituição Estadual e deu um pontapé no Regimento Interno da Corporação para beneficiar o astuto e inescrupuloso oficial. 
 
O governador que o sucedeu, Ricardo Vieira Coutinho, o homem do discurso republicano, não ficou atrás no que diz respeito aos acintes à Constituição e seguiu na mesma linha de desrespeito à legalidade e, achando pouco tudo que já tinha sido promovido em termos de escândalo achou por bem nomear o major da reserva comandante geral da corporação coroando uma trajetória de mediocridade e de extremada vocação para adulação indecente, que começou quando Euller pilotava a cadeira de rodas do ex-governador Ronaldo Cunha Lima.
 
Depois de se beneficiar do Governo Cássio Cunha Lima, Euller não hesitou virar socialista assim que o ex-patrono rompeu politicamente com o governador que o nomeou comandante geral e prosseguiu na sua senda de irredutível infrator das normas legais, lépido, trêfego e fagueiro, confiante que suas estripulias jamais seriam punidas pela Lei, já que nesse reduto construiu amizades que assegurariam a sua impunidade como acontece até hoje, e ele entra para a história do estado como o único major a comandar a Polícia Militar.
 
O processo 01413/18 se encontra no Tribunal de Contas do Estado e pode ser acessado por quem tenha interesse em conhecer detalhadamente como um astucioso, esperto e inescrupuloso major ajudado por governantes também de poucos escrúpulos, pôde chegar ao posto mais alto de uma corporação que tem por dever e finalidade, preservar a ordem pública e garantir a Lei.
 
A petição é um documento que pode revelar à posteridade como a Lei pode ser complacente, omissa e cúmplice com o infrator.
 
 
 
 
 
 
 
 

Fonte: Redação