Jampa News

10/12/2018 às 17:25

Morte de assentados pode não ter conotação social; assentamentos há muito que viraram refúgio de bandidos

São muitos os casos de execução de apenados dentro dos limites dos assentamentos São muitos os casos de execução de apenados dentro dos limites dos assentamentos

Percebe-se uma inclinação muito forte para emprestar ao duplo homicídio praticado em um assentamento rural localizado na cidade de Alhandra, região metropolitana da capital, uma conotação social resultado da luta de camponeses pela legalização de terras invadidas.
 
A presença da presidente nacional do PT no estado para acostar-se aos protestos contra a selvageria dos assassinatos reforça essa tendência para dar motivação política e social ao fato criminoso ocorrido na noite do último sábado.
 
A tônica do discurso do governador Ricardo Coutinho e do eleito João Azevedo segue a mesma linha apesar de uma cautela quanto a real motivação ainda não devidamente estabelecida pelas recentes investigações.
 
Aproximação da data que comemora os Direitos Humanos no mundo também contribui para que essa vertente de protesto ao crime e de apoio ao movimento dos Sem Terra ganhe força e projeção e que fatos trágicos que ensombrece a luta dos trabalhadores rurais sejam revividos e personalidades dessas recordações soturnas voltem ser homenageadas como forma de enaltecer uma luta que pouco avançou no país.
 
Além do que, um dos assassinados, José Bernardo da Silva, mais conhecido por Orlando, tem um histórico de violência na família já que um dos irmãos também foi vitima de execução em 2009, aos 33 anos, quando retornava de uma reunião com amigos.
 
As primeiras informações que chegam ao conhecimento público apontam para uma tocaia grosseira de criminosos sem nenhuma sofisticação para cometer um crime cuja repercussão se daria de forma estrondosa como realmente aconteceu onde diversos órgãos ligados aos Direitos Humanos se pronunciaram condenando o trucidamento.
 
A começar pelas armas, de uso comum e ao alcance de qualquer pessoa principalmente as que residem na zona rural. Depois, a maneira de agir onde dois homens usando camisas para encobrir os rostos chegaram atirando nas vítimas, o que aponta para um amadorismo carregado de ódio.
 
A primeira vista, não há profissionalismo na ação e o que se pode deduzir num primeiro momento é que a motivação pode estar numa vingança fruto de um desentendimento que não tenha nenhuma relação com as lutas sociais.
 
O clamor pelas mortes embutido nos discursos de autoridades teria um ranço de oportunismo político que nunca faltou nesses momentos, onde vítimas de crimes comuns são transformadas em mártires e depois em bandeira de luta como já ocorreu anteriormente e o ex-presidente João Pessoa é o melhor exemplo dessa predisposição para transformar tragédias pessoais em motivação política.
 
Misturado
 
Para quem mora na zona rural da grande João Pessoa principalmente os proprietários de terra sabem da realidade desses acampamentos, alguns transformados em refúgio de bandidos, que neles se escondem para escapar da responsabilidade dos crimes cometidos.
 
São áreas onde a autoridade policial não tem facilidade para entrar e os autores de crimes como roubo e assaltos encontram guarida e apoio pelo fato de terem parentes dentro desses aglomerados rurais.
 
São muitas, essas ocorrências: roubo de motos, roubo de equipamentos de irrigação principalmente, que são negociados dentro dessas áreas sem que as lideranças se preocupem em saber a origem.
 
Há muito que esses assentamentos convivem com marginais e se por acaso a polícia tiver acesso para investigar vai descobrir muitos dos assaltos e dos roubos que acontecem no litoral sul, praticados por pessoas que se misturam aos camponeses e muitas das vezes são ligados por parentesco aos que cultivam a terra.
 
Em alguns, as “lideranças” saem dos presídios para impor regras que só atendem aos seus projetos de dominação e exploração dos assentados tudo isso sob as vistas complacentes do PT. 
 
Não é incomum no noticiário policial matérias abordando a execução de apenados dentro dos limites dos assentamentos notadamente no Litoral Sul do estado. Essas mortes passam despercebidas porque envolvem pequenos marginais e as execuções são atribuidas a acertos de contas e não recebem o clamor da classe política. 
 
Exigem que se pague o que no tempo dos coronéis se chamava foro, aquele dia dedicado a trabalhar para os patrões hoje substituídos por espertalhões que ditam as regras do jogo dentro dos assentamentos e prosperam do dia para a noite.
 
Essa realidade cruel e abjeta fica escondida por trás dos movimentos de reinvindicação dos trabalhadores rurais e a bandidagem se apodera dos assentamentos a impor relações de trabalho que se assemelham aquelas do coronelismo, todos esses absurdos em troca de votos.
 
É provável que haja motivação politica e social no duplo homicídio, mas também existe uma margem enorme para a vingança pura e simples e o discurso apressado das autoridades pode terminar por se revelar vazio e desnecessário.
 
Principalmente porque a execução sumária dos dois militantes não seria uma exceção, mas uma regra no estado e no país: pessoas são executadas diariamente na Paraíba e no Brasil sem que suas mortes sejam acompanhadas de discursos retumbantes e sem a presença de políticos, ansiosos para transformar tragédia em palanque.
 
Seria melhor que se esperasse o término das investigações para saber a real motivação do duplo homicídio. Ela pode estar bem longe da versão social e política que querem emprestar ao fato criminoso.
 
 
 

Fonte: Redação