Jampa News

15/05/2019 às 06:32

Mais um conflito entre jornalista e deputada renova a discussão sobre a prática do jornalismo de esgoto na PB

Cada vez maior o número de jornalistas que optaram pelo esgoto Cada vez maior o número de jornalistas que optaram pelo esgoto

Mais uma contenda entre jornalistas e políticos que revelaria uma atmosfera densa a cada dia mais hostil onde os dois lados trocam acusações e assume a postura de vitimas de agressões.
 
Agora uma tentativa de entrevista gerou um bate-boca entre a deputada Estela Bezerra e o jornalista Thiago Morais acusado de fazer jornalismo de esgoto pela parlamentar, copiando o que seria um estilo praticado pela entidade que vem forçando os cofres públicos, na ânsia de controlar as verbas publicitárias, ou representando o jornalismo de engajamento político que assola o estado e que faz com que o material produzido tenha a cor do cordão preferido ou atenda aos interesses que abastece os bolsos, e inflamando os ânimos, na defesa ou no ataque, como se pode perceber no alarido que o atrito entre Thiago e Estela produziu com repercussões distintas entre as bandas em permanente batalha na defesa da sobrevivência completamente esquecido os aspectos éticos da profissão, que exige isenção, imparcialidade e compromisso com a veracidade dos fatos.
 
Num primeiro momento o presidente da Câmara Municipal, vereador João Corujinha, ameaçou com processo um grupo de jornalistas que estaria usando da chantagem e da extorsão para conseguir vantagens, junto ao parlamento municipal, ações essas que até agora não foram formalizadas e ninguém sabe de fato quem são os responsáveis pela pressão escandalosa, apesar das suspeitas e das impressões digitais de uma famigerada entidade que insuflaria e abrigaria esses piratas travestidos de jornalistas.
 
Em seguida, foi à vez, do deputado estadual, Walber Virgulino, apontar sua inseparável pistola para outros profissionais, useiros e vezeiros na prática da extorsão e chantagem há muito tempo entrincheirados nas dependências da Assembleia Legislativa a usar o corporativismo de classe para encurralar parlamentares, alguns deles ostentando evolução patrimonial que o salário de fome da categoria não pode justificar, segundo o deputado.
 
O deputado generalizou e foi repudiado por nota do Sindicato que cobrou nome aos bois para que a categoria não fosse atingida de forma genérica por acusação tão grave e tão deprimente particularmente para os que fazem o bom jornalismo, sempre atentos aos fatos e à veracidade independente de simpatias políticas, desatrelados dos grilhões monetários que abastece muitos espaços da imprensa paraibana, inclusive aqueles que arrotam altivez em relação ao Governo estadual como se todos não soubessem de sua subordinação a outros interesses, principalmente os partidários, irrigados que são por gordas verbas para desqualificar adversários, num exercício de pistolagem verbal que denigre a profissão, mas que vem sendo praticado como norma de conduta para esses paladinos de fancaria.
 
A repercussão do entrevero entre o jornalista e a deputada serviu para delinear as facções em conflito e os gestos e gritos de apoio surgiram evidenciando o grande fosso que a partidarização da profissão produziu. 
 
Naqueles ambientes hostis ao Governo a gritaria beirou ao histerismo e nada do que diz respeito a conduta do profissional em foco foi questionado como se constranger parlamentares fizesse parte do código de ética da profissão, o que não se quiser dizer que seria essa a conduta do jornalista apesar da grave acusação sobre seu estilo de “esgoto” revelado pela deputada, que se sentiu ofendida e se recusou a responder seus questionamentos, o que abre espaço para discussão se há ou não jornalismo de esgoto sendo praticado na Paraíba, o que chamaria para dentro da questão as entidades já na obrigação de apurar se houve agressão ao exercício da profissão ou se realmente está sendo exercitada prática tão abominável que exigiria a abertura de inquérito para identificar  se houve quebra de decoro profissional e a necessária punição desse profissional ao exemplo do que existe nas demais categorias, como a Medicina, a Engenharia, a Advocacia etc.
 
O jornalismo não pode continuar sendo praticado movido por simpatias políticas ou favorecimentos monetários como vem ocorrendo onde grupos de profissionais são atraídos por essa ou aquela facção política e daí para frente à isenção do material produzido vai para as cucuias e as paixões dominam as redações transformadas em diretórios de partidos ou em gabinetes privilegiados de políticos ambiciosos, ansiosos para se promover ou denegrir adversários, o que já se tornou uma rotina escandalosa onde o pudor e a ética se escafedeu.
 
Num ambiente como esse, atritos como os que já foram gerados tornando-se cada vez mais comuns, e se os fatos não forem apurados com rigor e os protagonistas punidos com severidade a coisa vai degringolar para o desforço físico. 
 
Seria, então, a hora de convocar as entidades para que as notas não saiam apenas como uma demonstração de espirito de corpo - que podem servir para proteger canalhas - e se constituam de fato um gesto de solidariedade em defesa do que rege e determina a ética da profissão.
 
Há um fato e há uma acusação. Apurar é o mínimo que se pode fazer principalmente diante dos reiterados episódios envolvendo profissionais de imprensa que estariam praticando jornalismo de esgoto. 
 
Essa é uma questão que não pode ser minimizada nem mais adiada e que exige providências imediatas das entidades para que se possa distinguir o joio do trigo.
 
Quem for podre que se quebre.
 
 
 
 
 

Fonte: Redação