Jampa News

09/10/2018 às 06:20

Condomínio político: Eleito com mais de 1 milhão de votos, João terá que dividir o poder com muita gente

Vai ser na divisão do poder que João iniciará seu aprendizado político Vai ser na divisão do poder que João iniciará seu aprendizado político

Passadas as primeiras horas de euforia com a espetacular vitória que pulverizou toda e qualquer oposição arrastando para os confins do esquecimento antigas lendas da política paraibana soterradas na montanha de votos que o eleitor paraibano resolveu dar ao governador e ao seu projeto, está prestes a começar o reinado de João sem Voto, o grande beneficiado dessa batalha final que deu a Ricardo a supremacia absoluta na política paraibana.
 
Montado numa montanha de votos, 58% dos votos válidos, equivalente a mais de 1 milhão, absoluto em mais de 200 municípios, uma diferença de mais de 600 mil, João Azevedo assume o governo sendo dono apenas do seu, o da esposa, filhos e familiares, já que os demais foram do projeto e do patrono Ricardo Coutinho.
 
Por nunca ter disputado uma eleição, por não ter redutos, por não ser político, João assume na condição de síndico de um gigantesco condomínio eleitoral onde muitos exigirão sua parcela de poder e será na distribuição eleitoral aos condôminos que João mostrará se tem ou não o traquejo necessário e a autoridade suficiente para saciar e conter a sede dos que se acham parte desse fabuloso condomínio político e que vão querer a sua fatia.
 
Por ter sido tão estrondosa e arrasadora a vitória de João terá muitos artífices a começar pelo governador visto tido e reconhecido por todos como o grande arquiteto dessa vitória e que deve reserva para si a parte do leão mesmo já estando com o pé na calçada do palácio.
 
Não será fácil para o síndico administrar esse condomínio eleitoral, aonde muitos dos condôminos deverão apresentar suas faturas de cobrança para ter direito aos melhores espaços do governo, e a cobrança será em votos, desde os que foram eleitos, aos que não foram, mas contribuíram para a vitória.
 
Nessa massa de cobradores entrarão prefeitos, vereadores, lideranças, militantes e apaniguados, os que portaram bandeiras, e acima de tudo os que acreditaram nas promessas, que é a imensa maioria anônima, cujos votos nas urnas consagraram o projeto de Ricardo e elegeram um candidato que nunca disputou eleições, e que nunca teve votos para chamar de seus.
 
Não será fácil. Pelo contrário será muito difícil para alguém sem votos administrar essa fabulosa massa eleitoral onde cada um depositou uma parcela e vai querer o retorno na proporção da sua contribuição.
 
A divisão do poder sempre foi mais difícil que sua conquista principalmente nas condições de João cuja contribuição eleitoral foi nenhuma, já que nesse bolo entrou apenas com seu voto e o da família.
 
E essa dificuldade será visível quando já eleito começar a divisão do bolo e ter que distribuir na estrutura do estado aqueles que deram sua contribuição para a conquista desse latifúndio eleitoral.
 
Na hora da partilha valerão primeiro os votos para depois o prestígio e inevitavelmente João terá que agradar a uns e desagradar a outros, o que deve e vai gerar insatisfações e muito moído que poderão desfazer aquela unidade que produziu a vitória.
 
A distribuição do poder não é tarefa fácil principalmente para quem não tem essa experiência e será confrontado com o volume de votos que cada aliado colocou na sacola eleitoral.
 
A discórdia deve ter sua participação nesse momento e muitos se sentirão injustiçados quando perceberem que em determinadas áreas do Governo não terão mais influência porque ela foi reduzida para acomodar quem teve mais voto ou para quem passa ter mais prestígio na nova gestão.
 
Obviamente que quem teve mais de 40 mil votos vai falar mais grosso de quem teve 30 e assim por diante, o que deve gerar verdadeiras escaramuças dentro de um grupo político onde as divergências sempre foram estimuladas e o dono do circo se deleitava em jogar um contra o outro como nas rinhas onde galos e cães de briga se estraçalham.
 
Sem nenhum voto que lhe dê a autoridade necessária para administrar esse Butantã eleitoral, João ainda terá que satisfazer parte da oposição quando chegar a hora de definir a presidência da Assembleia se quiser ter a tranquilidade necessária para não ficar refém das forças políticas.
 
João vai aprender o que é política agora, sentado na cadeira de governador, porque é nela que se forjam as verdadeiras lideranças, e verá que o fogo amigo é muito mais poderoso e mortal do que dos inimigos.
 
 
 
 
 
 

Fonte: Redação