Jampa News

07/07/2019 às 09:39

Batalhão foi projetado na década de 80, ainda no primeiro Governo de Burity

Euller é um dos auxiliares mais prestigiados e joga em várias posições Euller é um dos auxiliares mais prestigiados e joga em várias posições

A matéria divulgada pelo Jampanews sobre a instalação de um Batalhão Motorizado na Epitácio Pessoa teve uma repercussão intensa na corporação militar pelos ingredientes que ela revela com destaque para a habilidade política do comandante.
 
Ele conseguiu contemplar, numa só cajadada, vários coelhos de diferentes pelagens ideológicas misturando tucanos, socialistas e bolsonaristas no mesmo saco ao levar para o comando do batalhão um jovem e talentoso coronel forjado na bigorna do tucano Cássio Cunha Lima, abrindo dessa forma as portas do fundo da gestão de João para acolher supostos adversários do maior líder do PSB, o governador Ricardo Coutinho, permanentemente fustigado pela artilharia instalada na Assembleia sempre acionada por artilheiros do calibre dos deputados Walber Virgulino e cabo Gilberto com os quais o coronel Sousa Neto mantem fraternal amizade e estreita convivência.
 
Como o Batalhão motorizado tem um viés elitista já que totalmente destinado para combater crimes contra o patrimônio - e pobre nunca teve patrimônio -, a figura do coronel símbolo do defensor das classes superiores, querido por empresários, comerciantes, enfim, aquelas esferas sociais que retêm dinheiro e bens materiais, e cuja trajetória de êxito do militar no combate aos marginais - que ameaçam esses paraísos de prosperidade - fez dele uma referência pelo empenho em servir quem tem poder econômico e político.
 
Em razão de todos esses atributos, o perfil de Sousa Neto cai como luva e o recomenda para comandar uma unidade de elite naquilo que tem de mais significativo o termo.
 
Por tudo isso, o batalhão terá que ser instalado no corredor por onde passam os requintados moradores da cidade, e as suas esfuziantes motos serão contempladas com orgulho pelos contribuintes mais expressivos do erário, aqueles que podem manter e sustentar alguém no cargo, quando as vicissitudes da vida ameaçam desalojá-lo.
 
O projeto do batalhão é antigo e teria sido concebido ainda no Burity I, mas por razões desconhecidas não foi consumado provavelmente porque os engenheiros daquele tempo já tivessem vislumbrado o crescimento da cidade em direção ao litoral e farejado a inconveniência para o trânsito de um Batalhão localizado numa bifurcação onde o fluxo de veículos é proveniente de hospitais, repartições públicas, e outros órgãos de intenso atendimento tudo isso desaguando na Epitácio Pessoa.
 
O que já não era bom, 40 anos atrás, torna-se inviável hoje diante de todos os inconvenientes que pode provocar ao trânsito da cidade, além da hilaridade que acometeu uma parcela expressiva da oficialidade perplexa com a genialidade da medida apresentada como inovação depois de dormitar todo esse tempo nas gavetas.
 
Mas reconhecem que, do ponto de vista da estratégia política revela-se uma jogada de mestre por reunir, numa penada, alternativas de acesso ao poder, incluindo de quebra uma vereda para o interior do TCE, onde todo e qualquer gestor gostaria de encontrar orientação segura para as muitas mazelas e atropelos que a administração pública provoca.
 
Nesse aspecto todos tiram o chapéu para o autor do projeto ressuscitado depois de décadas esquecido nas gavetas reconhecendo que não há o que retocar do ponto de vista da esperteza política cartada tão bem engendrada que, provavelmente nem os feiticeiros do socialismo conseguiram enxergar nem decifrar o seu alcance, que abre perspectivas para novas alianças (PSL) ou então renovar antigas parcerias (PSDB/PSB).
 
A instalação do batalhão e a escolha do seu comandante comprovam toda argúcia com que a natureza dotou o coronel Euller reunindo em torno de um projeto abandonado por anos reputados adversários do ex-governador Ricardo Coutinho sinalizando para um tempo de conciliação onde os múltiplos interesses poderão ser equacionados e o novo batalhão se transforma assim num símbolo da unidade politica dos tempos modernos.
 
A prosseguir nessa senda da engenharia política, o coronel vai ser promovido à alquimista e deve assustar e incomodar os gênios do socialismo, aqueles que vivem debruçados nos caldeirões a destruir e a construir criaturas.
                                 
 

Fonte: Redação