Jampa News

22/04/2019 às 07:58

Aniversário da morte de Tiradentes foi celebrado com silêncio tumular; ninguém saudou o herói nacional

Alguém ainda se lembra de Tiradentes, o inconfidente mineiro enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792, porque se insurgiu contra a tirania portuguesa e sonhou com um Brasil livre, soberano e independente? 
 
Provavelmente não a se levar em conta o silêncio estarrecedor que varreu o país ontem quando da passagem de mais um aniversário de sua morte, soterrado nos escombros do esquecimento ultrajoso que lhe foi dispensado pelo distinto público e pelas autoridades constituídas confirmando mais do que nunca ser este pais uma nação desmemoriada.
 
Ninguém, ninguém mesmo, lembrou a morte daquele que foi considerado o Mártir da Inconfidência Mineira, um movimento de insurreição que explodiu no país colonial e que projetou duas figuras históricas, Tiradentes e Joaquim Silvério dos Reis, este último muito mais vivo nos dias de hoje pela multiplicação do seu caráter traiçoeiro do que aquele que foi enforcado e depois esquartejado para servir de exemplo aos patriotas enrustidos.
 
Joaquim Silvério já era naquele tempo o protótipo das elites brasileiras:coronel, fazendeiro e dono de minas, casado com uma legitima representante da nobreza tupiniquim, não hesitou entregar os inconfidentes de olho na preservação e ampliação dos seus privilégios, algo semelhante ao que fazem hoje as elites deslumbradas  e levianas desse país cujo conceito de patriotismo se resume em bater panelas, pintar as caras e rebolar ao ritmo indecoroso de certas dancinhas.  
 
Tiradentes, que já foi alçado à condição de Herói Nacional, Patrono de Todas as Polícias do Brasil, Militar e Civil, pela sua condição de alferes, não teve sequer uma bandeira hasteada em sua memória.
 
Nem uma solenidade marcou os 227 anos do seu suplício em causa de um Brasil independente, livre e soberano. Para sempre morto já que esquecido.
 
Nenhuma escola, seja pública ou privada, perfilou seus alunos; nenhuma instituição nem mesmo as militares recordaram o inconfidente mineiro, e seu sacrifício pelo descaso que lhe foi dispensado perdeu o significado, aquele que a República pretendeu lhe dar quando o alçou ao panteão dos heróis nacional.
 
A omissão em torno de Tiradentes, nos dias de hoje, pode ter um significado que nos reporta aos tempos do colonialismo: novamente voltamos a ser uma pátria subjugada aos interesses estrangeiros, onde uma elite desvairada rende homenagens ao colonizador e volta pagar tributos arrancados a custa do trabalho escravo.
 
Um Tiradentes, mesmo morto, é melhor esquecido do que homenageado para não reacender a chama da insurreição, para não estimular a rebeldia adormecida nos corações dos explorados e ultrajados, para não descer da força e convocar o povo a tomar o seu destino nas mãos. 
 
Que repouse em paz o alferes, mais uma vez sepultado agora na memória nacional. 
 
Quem foi
 
Tiradentes nasceu na fazenda Pombal, em Ritápolis, Minas Gerais, em 12 de novembro de 1746. Dentista,  tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político. Seu nome era Joaquim José da Silva Xavier.
 

Fonte: Redação