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12/03/2019 às 05:29

A OSUFPB faz sua estreia da temporada 2019 com um concerto da série “Concertos Especias”

 A OSUFPB faz sua estreia da temporada 2019 com um concerto da série “Concertos Especias”, tendo como solista convidada a rabequeira pernambucana Aglaia Costa. O evento, que faz homenagem ao mês consagrado à luta das mulheres, será realizado nesta sexta-feira, 15 de março, às 20 horas, na Sala de Concertos Radegundis Feitosa. A entrada é gratuita.

 

Trazer para o concerto de estreia da temporada uma mulher nordestina que toca um instrumento da cultura popular é uma forma adensar o conceito da série “Concertos Especiais”, na qual a OUFPB procura traçar características que reforcem o teor pedagógico da Orquestra, exaltando artistas, repertórios ou situações que estabeleçam ligações que honrem a grandeza música. É o caso deste concerto de sexta, que terá como solista uma musicista e compositora que, apesar de transitar no mundo erudito, tem a rabeca como um instrumento que lhe torna uma militante na defesa da cultura popular brasileira, divulgando e formando novos rabequeiros através de oficinas que ministra. 
A abertura deste concerto conta ainda com a peça "Lamento Nordestino", de autoria do compositor paraibano Arimateia de Melo. Também com passagem no movimento armorial, através do Quinteto Itacoatiara, grupo instrumental paraibano onde atuou intensamente por mais de doze anos, Arimateia nos presenteia com uma peça que tem sua estrutura melódica a partir da escala nordestina (modo mixolídio) e com ritmos onde prevalecem o baião e a toada.
Este será um momento de rara beleza, no qual o público terá a oportunidade de presenciar, não um confronto, mas um harmonioso diálogo entre os instrumentos que compõem uma orquestra sinfônica e a rabeca, esse artefato popular que ainda garante os festejos dos terreiros mais longínquos do meio rural brasileiro. E esse diálogo não se dá apenas com os diferentes timbres dos instrumentos, mas também no repertório, pois, além de peças executadas a partir de ritmos populares, Aglaia nos traz a peça, “Peleja da Rabeca”, de sua autoria, que põe a rabeca para “conversar” com temas consagrados da música sinfônica universal, de compositores como Vivaldi e Mozart. No repertório, também consta Villa-Lobos, o compositor brasileiro que tanto se inspirou na cultura popular brasileira na construção da sua obra, universalizando-a. Mas, como toda agente da cultura popular no Brasil, Aglaia não esqueceu de Jackson do Pandeiro no ano de seu centenário de nascimento. O concerto também terá a peça “Um Samba Pra Jackson”, de sua autoria, mantendo viva a memória deste que é um dos maiores artistas da música brasileira de todos os tempos.
O Concerto conta ainda com a com a participação especial dos percussionistas da cena musical Pernambucana, Drica Souza e Viola Luz , trazendo sua percussão popular. Sobre este momento de tamanha riqueza musical, esclarece Aglaia: “Concerto para Rabeca preserva a autenticidade e diversidade da cultura musical nordestina. Coco de roda, maracatu, ciranda, cavalo marinho, xaxado, xote, marcha junina, samba de latada e o forró, dão o tom deste Concerto que passeia pela música popular e erudita”.
A OSUFPB se sente honrada em oferecer esse maravilhoso momento musical ao público pessoense, fortalecendo sua missão de formar plateia e ao mesmo tempo quebrar barreiras de preconceitos. Aglaia Costa chega para deixar claro que a música é uma só e que nasce no coração de quem se permite à felicidade. Esse diálogo proposto por essa mulher nordestina representa o que há de melhor no que a OSUFPB se propõe em sua série “Concertos Especiais”.
 
 
AGLAIA COSTA
 
Considerada por pesquisadores e estudiosos como a melhor rabequeira contemporânea de Pernambuco, Aglaia Costa iniciou sua carreira como violinista erudita na Orquestra Sinfônica de Recife, onde atua desde 1988.
Pelas mãos de Antônio Madureira conheceu a rabeca, “foi amor à primeira vista”, diz a artista. Pouco tempo depois de abraçar o novo instrumento e a Música Armorial, aceitou o desafio para integrar o Quarteto Romançal em seguida foi convidada por Ariano Suassuna para tocar nas aulas-espetáculos do escritor, onde ficou durante anos. Com o grupo, gravou dois CDs e viajou por todo o Brasil e também pelo exterior.
A Rabequeira lançou o seu primeiro trabalho autoral em 2010, o CD com o titulo “Concerto para Rabeca”, seguindo com várias apresentações pelo Nordeste e algumas cidades do Brasil.  Compôs trilha para teatro e por ultimo um curta da cineasta Katia Mesel.        
Em 2011, foi agraciada pela Lei de Incentivo à Cultura Funcultura/Fundarpe PE, com a aprovação do Projeto Concerto Para Rabeca, Circulação com sete apresentações pelo Nordeste.
Também pela Lei de Incentivo à Cultura, do Governo de Pernambuco, apresentou o Concerto Aula “A peleja da Rabeca” em 12 escolas públicas da região metropolitana do Recife.  Este mesmo concerto-aula foi agraciado, por duas vezes (2010 e 2013), com o “Prêmio Funarte de Concertos Didáticos ” voltou a ser apresentado nas escolas públicas.
A diversidade profissional da artista não tem fronteiras, além de violinista e Rabequeira, vem se destacando também como professora, ministrando oficina de Rabeca no: Sesc Pernambuco, Fundação Cescone, Faculdade Fafire, Ufpb, Escola Partícula Prefeitura e Governo do Estado. 
Atualmente continua suas pesquisas com a música de tradição, buscando valorizar a rabeca, os rabequeiros e os mestres da cultura  Pernambucana, preparando o segundo CD e shows. 
“Me Sinto Um Grão de areia, no Mar De Necessidades” Aglaia Costa.
 
Arimateia de Melo
 
Natural de João Pessoa – PB, Arimateia de Melo é Professor aposentado da UFPB, do Departamento de Licenciatura em Música. Atuou no Canto Coral por mais de 40 anos. Integrou, como violoncelista e flautista, o Quinteto Itacoatiara da UFPB por mais de doze anos. Sua produção composicional inclui peças para diversas formações camerísticas, coro e orquestra. Suas composições foram executadas por vários grupos musicais da Paraíba, incluindo a Orquestra sinfônica Jovem da Paraíba, o Quinteto Brassil, Quinteto da Paraíba, Orquestra Camerata Arte Mulher, Orquestra Sinfônica da UFPB, Orquestra de Câmara da UFPB, Grupo Sonantes etc, tendo participado do CD, “Brassil Interpreta Compositores da Paraíba”, do CD da Orquestra de Violões da Paraíba, do CD “Território XXI” do Grupo de Percussão do Nordeste (PE), do CD “Todas as Flautas” do flautista Fernando Pintassilgo, do CD “Mostra SESC de música paraibana”, entre outros. É membro do COMPOMUS (Laboratório de Composição do Depto. de Música da UFPB).
 
A OSUFPB
A OSUFPB é um equipamento cultural da UFPB pertencente ao Centro de Comunicação, turismo e Artes e ligado aos Departamentos de Música e Educação Musical da instituição. A Orquestra tem finalidades pedagógicas que envolvem professores e alunos da UFPB, além de contribuir para a formação de plateia para o público pessoense. Atualmente conta vinte e um músicos fixos – todos de cordas - e com a participação eventual de professores e alunos dos cursos de música da UFPB, além de colaboradores voluntários da cena sinfônica paraibana.
 

Fonte: Ascom