A relutância de João em exonerar a turma de Ricardo soa como medo e covardia para os que sonham com espaço no Governo

Não é das mais confortáveis a situação do governador João Azevedo diante do cenário de conflitos, estabelecido depois da dissolução do diretório estadual do PSB, interpretado como um ato de força que fragilizou a autoridade do governador e que merecia uma resposta contundente até agora não manifestada pelo menos publicamente.

Marrocos defende o retorno às capitanias hereditárias

Quase que no papel de marisco diante do embate entre o rochedo e o mar, João tem se portado com extrema complacência em relação aos ataques que lhes são desferidos pelo lado mais aguerrido do confronto representado pela tropa de choque do ex-governador Ricardo Coutinho.

Publicamente confrontado naquilo que um governante jamais deve declinar – a autoridade, João tem engolido cobras, sapos e lagartos, quase todos os dias, e a sua serenidade começa ser confundida com medo diante da exacerbação dos ânimos, bem perto do insulto e do desrespeito ao cargo que ocupa literalmente questionado e reclamado pela vereadora Sandra Marrocos, que restabeleceu o sistema de capitanias hereditárias no estado ao dizer que o Governo seria de Ricardo, apagando as eleições do ano passado e referendando aqueles despachos de hangares nos quais o ex-governador foi surpreendido, e que comprovariam sua permanência de fato no Governo como sonhava e desejava a turma da cozinha.

João tem o Governo tolhido pelos girassóis raízes

Espremido entre os que ainda não tiveram acesso aos louros da vitória e aqueles que resistem em desocupar os cargos por considera-los seus, João vem travando uma guerra surda para não ser engolido por essa hidra de Lerna socialista, que resiste tenazmente em não lhe entregar aquilo que lhe foi conferido pelas urnas.

A tenacidade, que caracteriza a ala do ex-governador, de permanecer nos cargos, alegando que são seus, e que João não teria coragem muito menos legitimidade para reivindica-los, cria uma situação inusitada no estado, onde fica claro que um grupo político resolveu modificar as regras do jogo eleitoral e permanecer no Governo por não identificar no candidato que elegeu autoridade suficiente para nomear e exonerar de acordo com os interesses da nova gestão.

Conceito de Democracia de Ricardo Coutinho passa pela sua permanência no Poder

O que se percebe é uma versão canhestra de um parlamentarismo de ocasião, onde o governador assume, mas quem governa é um primeiro ministro de fancaria, sugando a autoridade do eleito pelo voto popular, perpetuando-se no cargo, rompendo assim o princípio de alternância no poder, pilar da democracia social, como fica claro nos desaforos proferidos pela vereadora Sandra Marrocos, que abandonou o decoro para ofender a consciência cívica dos paraibanos, dispensando as veleidades, ao expor acintosamente os seus objetivos e interesses antidemocráticos, quando propõe cinicamente o retorno ao coronelismo do passado.

O caminho para João já foi apontado pelo deputado e presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, quando disse que não haveria mais condições de convivência com o ex-governador Ricardo Coutinho.

O receio de João para não sair arranhado dessa refrega estaria afrouxando os laços com aquele grupo de deputados reunidos no G11, ansiosos para ter sua parcela de poder restringida até agora pelo excesso de carga no comboio socialista, e cuja demora na definição do governador, para escolher seu destino, pode retirar esse apoio indispensável para sua autonomia política, ameaçada pelo rolo compressor do antecessor em movimento contínuo para esmaga-lo na cadeira do poder.

Adriano já mostrou o caminho das pedras para João

A indefinição de João em sair do PSB pode encerrar sua vida pública, porque, caso permaneça no partido de Ricardo, terá que se submeter ao seu jugo, e não reunirá condições para atender a expectativa de renovação da máquina pública entupida de gente como Sandra Marrocos, cujo conceito de democracia é muito peculiar.

Diante de tudo que já desfilou perante a opinião pública qualquer mentecapto é capaz de perceber que a razão do racha é a superlotação da máquina publica ainda habitada pela enorme maioria de girassóis raízes, cuja mentalidade é igual à de Sandra Marrocos quando enxergam o Governo como um assentamento político, onde cada um tem sua parcela.

Locomotiva do PSB tem que ser esvaziada para poder andar nos trilhos

Caso permaneça no partido, João estará inevitavelmente preservando esse assentamento socialista, essa versão moderna das capitanias hereditárias do passado e jamais escapará do jugo que pretende lhe impor gente como Ricardo Coutinho e Sandra Marrocos, cuja incompatibilidade com a democracia fica expressa nas declarações desaforadas com que a vereadora contemplou o governador e desfeiteou sua autoridade – demita, se tem coragem!

Se João almeja seguir na carreira politica e pretende fazer um Governo com sua marca à hora de se livrar desse bando de fanáticos é agora e mandar descer da máquina todo e qualquer um que tenha cheiro de girassol raiz.

Mais do que um desaforo, um insulto à autoridade do governador, as declarações de Sandra representam uma ameaça ao processo eleitoral, um acinte a democracia.

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